Processada por ato compassivo, Anita Krajnc é inocentada e se torna exemplo para o mundo


Anita Krajnc, processada por dar água a porcos de um matadouro que estavam a caminho da morte, foi considerada inocente pelo juiz David Harris. O julgamento ocorreu na manhã de quinta-feira (4/5/2017) em Milton, Ontário, no Canadá.

Anita é ativista e cofundadora do grupo Toronto Pig Save, que admitiu ter oferecido água aos porcos, em junho de 2015, em um ato de compaixão pelas vidas daqueles animais condenados à morte.

A acusação alegou que Anita estaria dando uma substância desconhecida aos animais que estavam sendo levados a um matadouro em Burlington, Ontário, na tentativa de impedir que eles fossem mortos. Mas o juiz rejeitou a alegação pela falta de provas.

Durante o julgamento, a defesa feita pelos advogados de Anita comparou os porcos com os judeus enviados para morrer nos campos de concentração durante o holocausto. Falaram também que a atitude de Anita poderia ser comparada com as ações de Gandhi e Nelson Mandela.

O julgamento da ativista comoveu diversos protetores e ONGs de defesa animal ao redor do mundo, inclusive celebridades como a atriz Mckenna Grace, estrela do filme Gifted, e a atriz Maggie Q, conhecida pelo seriado Nikita.


Foto: Aaron Lynett / The Canadian Press


Uma análise jurídica e ética sobre o 
julgamento de Anita Krajnc


O julgamento da ativista pelos direitos animais Anita Krajnc trouxe à tona uma séria discussão: a “necessidade” de matar animais para o consumo desenfreado e como a ética deveria guiar a relação humana com os animais.

Um artigo da advogada e diretora de Defesa dos Animais de Criação da ONG Animal Justice, Anna Pippus, publicado no The Globe and Mail, analisa a decisão do juiz David Harris, que julgou Anita como inocente por ter dado água para porcos transportados dentro de um caminhão, sem ventilação, até um matadouro em Ontário, no Canadá. A atitude de Anita foi um ato de compaixão pelas vidas daqueles animais condenados à morte.

Mas para Anna, a absolvição de Anita foi dada “somente pela razão técnica de que dar água aos porcos não constituía uma interferência”. Quando o caminhão voltou a andar quando o sinal abriu, os porcos foram levados para morrer em prol da consumo humano. “Os negócios continuaram como de costume”, analisa.

Apesar da decisão, os animais continuam sendo vistos como propriedade, sendo levados em caminhões inadequados para que os seres humanos continuem consumindo infinitas quantidades de carne. Ou seja, “a decisão judicial determinou que os porcos estavam sendo tratados de acordo com a lei”, critica a advogada. Como se o fato de levar animais em um dia quente de verão, sem proporcionar quaisquer cuidados, não houvesse violado as leis de proteção animal.

Durante muito tempo os animais foram vistos somente como propriedade dos seres humanos. Mas para Anna, isso está mudando. “As leis e sua aplicação tipicamente seguem as normas sociais, e não o contrário. Agora, estamos começando a entender que a sensibilidade importa e que bacon saboroso, barato, não é uma razão boa o suficiente para se afastar do sofrimento animal. Estamos começando a entender que a criação de animais passa a ser um assunto sério para consideração ética. Nossas leis são excelentes quando se trata de proteger os direitos dos ‘proprietários’. Protegendo os animais, não tanto”, diz Anna.

Ela afirma que o julgamento de Anita pode ser um catalisador para que mudanças maiores aconteçam. Esse fato trouxe enfoque a diversas discussões como a exploração em prol do consumo desenfreado de carne animal, o transporte inadequado e até mesmo a questão ética de como vemos os animais.

“A próxima vez que alguém oferecer água aos porcos ofegantes, vamos esperar que os promotores persigam os responsáveis ​​por fazer com que esses porcos sofram, em primeiro lugar”, finaliza a advogada e defensora dos direitos animais.


Foto: Toronto Pig Save / Reprodução


NOTAS DA NATUREZA EM FORMA:

1. Leia também:



2. Assista ao vídeo publicado na página inicial do site e YouTube do Toronto Pig Save, que mostra uma vigília feita em julho de 2013, durante uma onda de calor em que os termômetros atingiram 45 graus Celsius.



3. Animais não são alimento, nenhum deles. Não são comida nem escravos dos humanos. Sentem como todos nós e por isso merecem a vida e a liberdade. A alimentação vegetariana estrita, sem carne de qualquer tipo ou derivados (laticínios, ovos, mel), já está provada como sendo a mais saudável para os humanos. Quem opta pelo veganismo (que engloba não somente a dieta vegetariana estrita, como também o não uso de roupas e acessórios de couro, lã, pele e seda, assim como o boicote a "atrações" que exploram os animais, como zoológicos, circos e aquários, e a empresas que fazem testes em animais) está fazendo um bem pelos animais e para sua própria saúde e vida. E não é difícil nem caro. Quer uma ajuda para começar a parar de comer carne? O primeiro passo é a informação. Aprenda com quem já vive esse estilo de vida: pergunte, pesquise. Use as redes sociais para expandir seu conhecimento sobre vários assuntos, inclusive esse, que é vital para você e um imensurável número de vidas inocentes. Há diversos grupos sobre o tema no Facebook. Listamos abaixo alguns deles:

Troll Ajuda disponibiliza um tópico fixo com uma lista de produtos (não só para alimentação) livres de crueldade animal e oferece sempre diversas dicas para iniciantes e "veteranos";

Veganismo é um dos maiores grupos sobre o tema no Facebook, com quase 50 mil membros sempre compartilhando experiências e tirando dúvidas;

Veganismo Popular desmitifica a ideia de que veganismo é caro. É perfeitamente viável seguir uma alimentação diária sem crueldade animal e sem maltratar o bolso;

Musculação Vegana é voltado para os praticantes de atividades físicas. Nele, você pode ver como é preconceituosa e errada a ideia que algumas pessoas tentam propagar, de que vegetarianos estritos são fracos fisicamente (muito pelo contrário, são mais fortes e saudáveis). O grupo oferece diversas dicas de alimentação e suplementação vegana.

Existem ainda sites e blogues com deliciosas receitas veganas, simples e baratas de fazer. Estes são alguns: 




Viewganas (canal do YouTube especializado em versões veganas de receitas tradicionais com carne) 

Já a Revista dos Vegetarianos é uma publicação mensal (impressa e on-line) com excelente conteúdo que vai bem além de receitas, focando a saúde como um todo. 

Mapa Vegano lista diversos estabelecimentos em todo o Brasil, abrangendo produtos e serviços de alimentos e bebidas, higiene e beleza, roupas e acessórios, ONGs e outros. 

E para dar uma força aos iniciantes, o Mercy for Animals Brasil disponibiliza um Guia Vegetariano gratuito em seu site. Nele, você encontra diversas informações que podem norteá-lo no começo de uma nova vida. O Desafio 21 Dias Sem Carne também pode ser uma boa forma de você começar - e descobrir que consegue abolir definitivamente os animais do seu cardápio.

Mas já saiba desde o começo que abraçar o veganismo é uma mudança e tanto, que fará um imenso bem para você, para os animais e para o planeta.

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