Posicionamento da Associação Natureza em Forma sobre a lei que proíbe alimentar pombos


Acima: Grace Kelly e Tom Tom, resgatados de maus-tratos 
e atualmente para adoção na ONG. Abaixo: Carequinha, que foi reabilitado 
e solto, mas vem sempre nos visitar em busca de comida 
(Fotos: Associação Natureza em Forma)


Quem alimentar pombos de rua em São Paulo agora será multado em R$ 200. A lei, de autoria do vereador Gilberto Natalini (PV) e sancionada pelo prefeito Bruno Covas (PSDB), foi publicada na última quinta-feira (7/6/2018) no Diário Oficial de São Paulo e deve ser regulamentada pelo Executivo nos próximos três meses.

O argumento usado para essa lei se baseia na velha crença de que pombos transmitem doenças. A Folha de S. Paulo fez uma matéria totalmente parcial, favorável ao tema, mas a própria declaração da fonte ouvida pelo jornal mostra o absurdo dessa perseguição a um animal inocente.

“Inalar os fungos contidos nas fezes secas do animal pode provocar doenças pulmonares e até meningite”, disse um infectologista. Ou seja, para um humano ser infectado, ele precisa cheirar as fezes do animal. O mesmo vale para toxoplasmose, criptococose e histoplasmose. Piolhos de pombos – também encontrados em outras aves –, mesmo que eventualmente passem para humanos, não sobrevivem mais que algumas horas, pelo simples fato de que humanos não têm penas para alimentar os piolhos. E “doença do pombo” é algo que simplesmente não existe, trata-se de uma lenda urbana. 

Repudiamos veementemente não apenas essa lei, que reforça a intolerância contra um animal que já sofre tantos maus-tratos por pura ignorância humana, mas também o fato de ela vir de um político do Partido Verde, que supostamente defende o meio ambiente. Natalini chegou a declarar que o pombo pode transmitir até 70 doenças. E, pior ainda, toda essa crença é alimentada por instrução normativa do Ibama, que considera os pombos pragas urbanas. O Ibama é um órgão que igualmente deveria zelar pelo meio ambiente, e não atacá-lo. 

O poder público – especialmente uma entidade como o Ibama e um partido como o PV – deveria assumir os animais, e não fazer campanhas contra eles. Pombos podem ficar doentes como qualquer animal, e uma superpopulação dessas aves aumenta o risco de contágio de doenças entre elas mesmas – a tal propalada transmissão para humanos é extremamente pouco provável de acontecer. 

O controle populacional por inanição (deixar os pombos morrerem de fome) é cruel, ignorante e criminoso. A Lei 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais) criminaliza os maus-tratos contra todos os animais, sem distinção. A ONG SOS Aves & Cia. lembra que uma lei municipal não pode estar acima de uma lei federal. Deixar um pombo morrer por fome ou sede é crime em qualquer cidade do Brasil. A ONG está protocolando uma denúncia no Ministério Público de São Paulo para que um inquérito seja instaurado para anular essa lei. 

Uma caça às bruxas semelhante ao nazismo. Agora os políticos querem fazer a população acreditar que os responsáveis pelas doenças urbanas são os pombos, e não a falta de políticas públicas de saúde para os humanos, e essas aves “culpadas” é que devem ser punidas. Era só o que faltava. Na verdade, os responsáveis pelo adoecimento da população são os políticos. Os pombos são apenas outras vítimas, da falta de políticas públicas de proteção aos animais – pombos e outros. 

O controle populacional de pombos deve ser feito, mas de forma ética, por meio da substituição dos ovos das pombas por ovos falsos – dessa forma, as pombas têm um local seguro para fazer seus ninhos e são inseridas na sociedade, e não deixadas para morrer de fome. E tendo esses poleiros para ficar, os pombos deixam livres os monumentos da cidade, outra queixa dos políticos, além de terem alimento saudável disponível, e não lixo, melhorando, portanto, sua saúde. 

A instalação de pombais em praças, parques e outros espaços públicos ocorre em diversas cidades do mundo – a experiência de manejo na Praça San Marco, em Veneza, na Itália, é exemplar. Lá, os pombos são alimentados e controlados, sendo atração turística (e livres, vale lembrar, ao contrário de atrações turísticas que aprisionam os animais). Nós, da Natureza em Forma, em reunião com a administração do Parque da Água Branca, já sugerimos a colocação de pombais para os pombos e ninhos para as galinhas, para conter o aumento populacional dessas aves no local. 

Em nosso Centro de Adoção, recebemos pombos salvos de diversas situações de maus-tratos, feridos por pura maldade, como chutes, atropelamentos e envenenamento. Nós os reabilitamos e soltamos, como deve ser feito com qualquer ave após um trabalho de reabilitação. Aqueles que não puderem mais voar devido a asa quebrada, por exemplo, colocamos para adoção como qualquer outro animal da ONG, como cães, gatos, coelhos, chinchilas, porquinhos-da-índia, camundongos, twisters, gerbis, galos/galinhas e porcos. 

Excluir os pombos é como excluir o ser humano que está à margem. Eles são merecedores de fazer parte da natureza e da sociedade tanto quanto qualquer um de nós. 

Pit bull explorada para reprodução é deixada em gaiola para pássaro


Uma pit bull foi encontrada em uma gaiola de pássaro do lado de fora da organização Animal Aid, em Oakland Park, nos EUA. A Saving Sage Animal Rescue Foundation pegou a cachorra, que chamaram de Birdie, e logo ficou óbvio que ela era maltratada. Era evidente que a cachorra havia reproduzido numerosas vezes e tinha um caso grave de sarna que parecia não ser tratada há tempos. A pele de Birdie estava tão delicada quando eles a encontraram que o menor toque fazia suas feridas sangrarem.

Birdie estava coberta de feridas doloridas como essa em sua cauda


Suas patas estavam rachadas e com aspecto de pedra, 
com sangramento entre as rachaduras de sua pele


Outro sinal de negligência óbvia: Birdie estava só pele e osso


Você consegue imaginar todos os filhotes que Birdie teve que alimentar 
enquanto estava tão magra e cansada assim?



Depois de um pouco de amor e atenção, Birdie agora está a caminho de sua recuperação. Ela ainda está magra por causa da desnutrição e da doença, mas está indo muito bem. Ela tem um temperamento ótimo com pessoas e outros cães, então logo encontrará seu novo lar.

A história de Birdie é somente uma das centenas que ouvimos sobre cães mantidos somente para terem filhotes para que seus tutores ou "criadores" lucrem. Cães reprodutores costumam ser mantidos em condições terríveis e apertados, mal recebem alimento o suficiente para sobreviver e só saem de seu confinamento quando querem que eles cruzem.

Cães criados dentro das indústrias de filhotes são tratados de forma horrível, mantidos em jaulas minúsculas em ambientes similares aos de fábricas e recebem quase nada de liberdade para fazerem qualquer uma dessas coisas que nossos amados animais de companhia fazem. Filhotes são adoráveis, mas histórias como a de Birdie evidenciam a importância de se saber de onde eles vêm. Lembre-se: adote, não compre!




Fotos: Saving Sage Animal Rescue Foundation


NOTA DA NATUREZA EM FORMA:

Leia aqui outras matérias sobre o comércio de vidas. 

Boi se torna um símbolo de resistência


Imagine como seria nadar por quase 10 km num mar extremamente frio a fim de se salvar da morte. Foi exatamente o que fez um boi na madrugada de 14 de junho [2018], uma das mais frias do ano, depois de pular do navio Aldelta, que estava atracado no Porto de São Sebastião (litoral norte de SP), durante a operação para carregamento de cinco mil animais rumo a algum país do Oriente Médio.

A vontade de viver fez com que esse animal sobrevivesse até as sete horas da manhã em plena água gelada, quando foi avistado por uma pequena embarcação. Foi laçado e levado em segurança para a Praia das Cigarras, mas o que poderia ser uma esperança de liberdade logo se transformou num novo pesadelo.

A defesa civil foi acionada e a Cia. Docas, que administra o Porto, enviou um caminhão guincho, que içou o boi (já com todas as patas amarradas) como se fosse um saco de batatas. A Docas noticiou que o boi seria examinado pelos veterinários presentes no Porto e, se estivesse bem, seria novamente embarcado… para a morte.

Rodrigo Polacow, morador e ambientalista de São Sebastião, conseguiu fotografar o resgate e também filmar o içamento do animal. Ele conta que o boi aparentava estar exausto, mas não tinha ferimentos, inclusive, chegou a ficar em pé na areia, mas logo tombou de cansaço. Tanto sacrifício para, como diz o ditado, “morrer na praia”… ou quase isso.


Apenas sete dias atrás, em 8 de junho, outros dois bois se jogaram do navio Aldelta, que permanece atracado em São Sebastião, com mais cinco mil animais. A Docas informou na ocasião que os animais foram resgatados em “bom estado” e reembarcados.

Já foram registrados, em outras partes do mundo, diversos casos de animais em navios de carga viva se jogando ao mar numa tentativa alucinada de escapar da morte. Infelizmente, nenhum deles até hoje foi poupado, apesar da forte determinação de viver. O boi de São Sebastião é um desses símbolos de resistência e mostra o quanto o sofrimento desses animais pede urgência.


Vale ressaltar que, depois de todo o sofrimento que esses animais enfrentam num navio em alto-mar, vivendo durante 15 a 20 dias em meio a fezes, urina e vômito, com fraturas e sem poder sequer respirar direito ou deitar para descansar, ainda são abatidos no país de destino de forma brutal, ainda conscientes, com um corte no pescoço que os faz sangrar até a morte. Um triste começo, um doloroso meio e um trágico fim – é isso que está acontecendo com os bois brasileiros.

O juiz federal Djalma Moreira e o procurador regional da República Sérgio Monteiro já deram pareceres contrários a esse tipo de comércio e de forma muito bem fundamentada. O Projeto de Lei 31/2018, do deputado estadual Feliciano Filho (PRP), também visa acabar com a exportação de animais vivos pelos portos de São Paulo. Agora só falta o governador enxergar a situação e colocar um fim a essa crueldade. Manifeste sua opinião na página do governador






Fonte: Anda - Agência de Notícias de Direitos Animais

Fotos e vídeos: Rodrigo Polacow

Mais de 50 animais são devolvidos à natureza, na Reserva do Paiva (PE)


Mais de 50 animais, entre aves silvestres, mamíferos e répteis, foram soltos na Mata do Camaçari, na Reserva do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, região metropolitana do Recife. 

A ação, ocorrida na tarde de 6 de junho [2018], foi realizada numa parceria entre a Associação Geral da Reserva do Paiva (AGRP), Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e Concessionária Rota dos Coqueiros (CRC).

Os animais foram apreendidos em ações de combate ao tráfico de animais silvestres. Antes da soltura, eles passaram por uma reabilitação no Centro de Triagem de Animais Silvestres de Pernambuco (Cetas Tangara), do CPRH, localizado no bairro da Guabiraba, no Recife, para serem devolvidos à natureza.














Fotos: Divulgação

Cachorros debaixo d'água


Em fevereiro de 2012, o fotógrafo norte-americano Seth Casteel publicou uma série de fotos mostrando cães mergulhando em piscinas. Elas se tornaram uma sensação na internet, alcançando 100 milhões de pessoas em menos de 24 horas, o que resultou no livro Underwater Dogs ("Cachorros debaixo d'água", em tradução livre), que se tornou um dos livros de fotografias mais vendidos de todos os tempos. 

Tudo começou em 2007, quando Casteel decidiu fotografar voluntariamente animais de rua para ajudá-los a encontrar um lar amoroso. O resultado foram inúmeras adoções. Continuando com seu trabalho voluntário, ele iniciava uma nova carreira de fotógrafo de animais. 

Hoje, Casteel viaja o mundo com seu trabalho. A campanha sem fins lucrativos One Picture Saves a Life ("Uma fotografia salva uma vida", em tradução livre), criada por ele, incentiva protetores animais de todo o mundo a melhorar a imagem do resgate e adoção por meio da fotografia positiva. 

A cadela resgatada de Seth Casteel se chama Baby Nala. 






Seth Casteel e Baby Nala



Confira mais fotos aquáticas aqui.

Informações e fotos: Seth Casteel