Muito além de javalis e jacarés: o retrocesso vergonhoso da causa animal no Brasil

    A foto é da organização norte-americana PETA, 
mas essa realidade está prestes a ser legalizada no Brasil



2017 mal começou e a causa animal no Brasil já tem muita briga pela frente. 

Logo na primeira semana do ano, algumas das notícias foram:

- Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais (Sepda) do Rio de Janeiro é rebaixada a Subsecretaria; 

- Secretaria Especial dos Direitos Animais (Seda) de Porto Alegre (RS) é extinta e incorporada à Secretaria Municipal de Sustentabilidade (SMSu);

- Projeto de Lei 6.268/16 regulamenta a caça de animais silvestres;

- O primeiro frigorífico especializado na criação e abate de jacarés do estado de São Paulo será certificado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento. 


Protetores de animais da capital gaúcha disseram, durante a sessão que deliberou sobre a reforma administrativa, marcada por protestos, em 2 de janeiro, que se manterão vigilantes para garantir a continuidade dos serviços prestados pela Seda e continuarão a tentar o diálogo com o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior. 

No Rio de Janeiro, o governo de Marcelo Crivella afirma que, com a transferência para o gabinete do prefeito, a nova Subsecretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais irá gerenciar todas as ações relativas ao bem-estar dos animais, e que a população continuará contando com os serviços prestados. 

As prefeituras alegam que tomaram essas medidas com o objetivo de cortar custos para enfrentar a crise - em 14 capitais do Brasil, foram 104 Secretarias extintas. Mas nós, da causa animal, conseguimos enxergar apenas retrocesso e tememos que políticas públicas em favor dos direitos animais se tornem ainda mais escassas ou desrespeitadas. 

E o cenário nacional só corrobora os indícios de uma volta à Idade das Trevas para os animais no Brasil. O texto do PL 6.268/16 revoga a Lei de Proteção à Fauna (Lei 5.197/67), que proíbe o exercício da caça profissional, e retira da Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98) "o agravamento até o triplo da pena de detenção de seis meses a um ano, e multa, por matar, perseguir, caçar, apanhar ou utilizar animais sem licença se isso for feito durante caça profissional".

Órgãos ambientais poderiam ainda autorizar a criação de reservas próprias para caça de animais silvestres em propriedades privadas, desde que não estejam na lista de animais ameaçados de extinção. Ameaçados ou não de extinção, são vidas que poderiam ser eliminadas por esporte ou para comércio. Além disso, como seria feito o controle? A caça já ocorre mesmo sendo proibida; como será depois de liberada? Para nós, da Natureza em Forma, isso é só dar margem para as pessoas fazerem o que querem: matar os bichos. 

O autor da proposta, Valdir Colatto (da bancada ruralista, cabe destacar), argumentou que há espécies exóticas invasoras que oferecem risco ao ecossistema e precisam ser contidas, como o javali-europeu - há inclusive uma norma de 2013 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que libera a caça desse animal para controlar sua população. Atualmente, esse é o único animal com caça liberada pelo órgão ambiental.

Mas veja bem: javali-EUROPEU, espécie INVASORA. E como eles "invadiram" o Brasil? Houve uma grande promoção de passagem aérea e eles juntaram a manada toda, atravessaram o Atlântico e chegaram causando em nossas terras? Não. No início do século 20, eles foram trazidos da Europa para a Argentina e Uruguai para, claro, serem explorados. Escaparam dos criadouros e vieram para a região sul do Brasil. Décadas depois, em 1996, foi oficializada a importação do bicho para Rio de Janeiro e São Paulo. Para quê? Comércio de carne exótica. Ocorreram novas fugas e, em 2013, com uma densidade populacional fora de controle (leia-se: "praga") porque essa espécie não tem predadores naturais em território brasileiro, o Ibama autorizou a caça ao javali. Por quê? Porque ele estava ameaçando a biodiversidade e ecossistema no País (leia-se: alimentando-se de animais silvestres). 

Entendeu? O ser humano traz uma espécie animal de um país para o outro, com o único fim de explorá-la, esses animais escapam do confinamento e começam a se reproduzir descontroladamente e o ser humano passa a chamá-la de praga e autoriza sua caça porque esses animais estão se alimentando de animais silvestres - os mesmos animais silvestres cuja caça agora está autorizada! E a caça de animais silvestres está autorizada porque eles são uma praga e ameaça também? Não. Mas são divertidos de caçar e ainda rendem uma graninha para o ser humano. Por isso.

Pelo mesmo motivo - $$$ -, matadouros de jacarés começam a ser oficializados no Brasil. Sempre bom perguntar: o jacaré é uma praga como o javali? Não. De acordo com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o Abatedouro de Pescado Aruman, na cidade de Porto Feliz, será o "primeiro frigorífico especializado na criação e abate de jacarés do estado de São Paulo". Ou seja, eles farão os jacarés se reproduzirem para que nasçam novos jacarés e sejam todos mortos. Para quê, mesmo? Segundo o site da Secretaria, a proposta do "estabelecimento" é "comercializar toda a produção no estado de São Paulo, que tem bastante demanda pela carne e pelo couro". Um dos proprietários do lugar, Ari Palomo Del Alamo, adiantou quais são os planos: "Vamos começar vendendo para butiques de carnes porque a produção ainda é baixa e ir expandindo com o tempo. Nosso foco hoje é desenvolver novos criadores para conseguir ter volume de produção". Sim, "volume de produção". Isso significa que o Ari Palomo, assim como outros seres humanos como ele, querem criar muitos e muitos jacarés para ganhar muito, muito dinheiro. Sim, faz lembrar algo, né? Isso mesmo: as vacas, as galinhas, os porcos, os peixes, os perus e todos os animais que são torturados e mortos diariamente, bilhões ao ano. 

Vale lembrar que a criação de jacarés não é algo novo, nem no mundo nem no Brasil. A foto no início desta postagem é de uma investigação da ONG norte-americana PETA sobre a crueldade contra crocodilos e jacarés na indústria do couro no Zimbábue, em 2015 (veja o vídeo aqui). Recentemente, no final de 2016, eles mostraram a mesma realidade brutal vivida por esses bichos no Vietnã (veja aqui). Ambos os vídeos mostram de onde vem o couro que abastece fábricas de grifes como Hermès Birkin e Louis Vuitton, que transformam a pele desses animais em artigos de luxo como bolsas e carteiras. O Brasil já tem 15 criadouros de jacaré em funcionamento. O fato novo aqui é que agora a crueldade é "certificada" pelas autoridades e licenciada por órgãos como Ibama e Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Para quê, mesmo? Para alimentar seres humanos que não são carnívoros, mas acreditam que são, e também alimentar seu consumismo fútil. Porque galinhas e outros bichos podem até ser acessíveis financeiramente para grande parte da população que se crê o topo da cadeia alimentar. Mas jacarés? Sua carne certamente não será servida no Bom Prato e sua pele com certeza não será a matéria-prima das bolsas vendidas nas grandes lojas de departamento. Os bolsos dos "empresários" que os criam - e dos órgãos "competentes" que lhes amparam - ficarão recheados. 

A mesma ganância levou, em novembro do ano passado, um governo a passar por cima da Constituição Federal, do Supremo Tribunal Federal (STF), de Ministérios Públicos, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), da Associação Brasileira de Medicina Veterinária Legal (ABMVL), da Lei 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais) e da vontade da maioria da população brasileira (ignorada na consulta pública aberta pelo próprio Senado) para legalizar maus-tratos contra os animais na forma da Lei 13.364 (originada pelo PLC 24/2016), que "eleva o rodeio, a vaquejada, bem como as respectivas expressões artístico-culturais, à condição de manifestação cultural nacional e de patrimônio cultural imaterial".

Quanto a essa insanidade, nós, da Natureza em Forma, e mais 22 organizações da causa animal de todo o Brasil, a partir de iniciativa da ONG parceira Veddas, assinamos uma ADPF (arguição de descumprimento de preceito fundamental) contra a PEC 50 e uma ADI (ação direta de inconstitucionalidade) contra o PLC 24. É nossa última esperança para reverter esse golpe abjeto contra os animais. Mas Brasília ainda está em recesso...

Sobre o Projeto de Lei 6.268/16, que regulamenta a caça de animais silvestres, a ONG 269Life Nordeste criou uma petição on-line dirigida ao Congresso Nacional, Câmara dos Deputados, Ibama, deputados federais e senador Romero Jucá (líder do Governo no Congresso), pedindo que não aprovem o PL. No texto do abaixo-assinado, a ONG lembra ainda outro importante aspecto: "A crueldade da matança estende-se não só a esses animais [silvestres], como também aos cães, que estão sendo criados para matar esses animais silvestres - muitos cachorros morrem durante a caçada ou são abandonados pelos caçadores por não terem mais utilidade".

No mesmo site, uma defensora dos animais criou outra petição, pedindo que não seja concedido o laudo de funcionamento para o matadouro de jacarés em Porto Feliz. O abaixo-assinado será encaminhado para a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo; Ministério Público de São Paulo; Secretaria da Casa Civil; Secretaria do Meio Ambiente; governador de São Paulo, Geraldo Alckmin; presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), Fernando Capez;  defensor público-geral do estado de São Paulo, Davi Eduardo Depiné Filho; procurador-geral de Justiça do estado de São Paulo, Gianpaolo Poggio Smanio; líder do Partido Verde (PV) na Alesp, Roberto Tripoli; e deputados estaduais.

Sim, 2017 está começando com muito trabalho para nós, da causa animal. Nunca desistiremos. Mas não somente nós - que somos ONGs, ativistas, protetores - podemos lutar. Você também gosta de animais e se indignou com as notícias que leu nesta postagem? Sentiu-se impotente diante de tanta barbaridade que estão fazendo contra essas criaturas que não têm voz para brigar por seus direitos? Pois saiba que você também pode tomar várias atitudes simples, mas que farão grande diferença, pelos animais.

Claudia, uma de nossas gatas para adoção,
parece estar se perguntando: "Que país é este?"
(Foto: Natureza em Forma / Divulgação)


E o que você pode fazer?

Muito: 

- Comece assinando e compartilhando as petições que citamos. Para assinar contra a caça de animais silvestres, clique aqui; contra a criação oficial do primeiro matadouro de jacarés do estado de São Paulo, clique aqui

- Nunca compre animais. Adote! Leia algumas de nossas postagens sobre a realidade por trás do comércio de animais de estimação:

- Nunca, jamais, abandone seu animal. Quando for adotar, tenha em mente que ele poderá ficar doente ou deficiente e certamente ficará velho. E aconteça o que acontecer, você deve estar ao lado dele e dar os melhores cuidados até o fim de sua vida. E você pode inclusive adotar um animal que já seja doente, deficiente ou idoso! Leia:

Novo amor velho

Esse cão pode ter perdido seus olhos, mas seu coração continua grande

Tutor não deixa câncer de cão impedir de levar o animal para passear


- Castre seu animal: ele estará menos sujeito a doenças, fugir de casa e aumentar a população de animais de rua. Além disso, quando um animal é castrado ainda jovem, sua vida é prolongada em pelo menos dois anos por não haver interferência hormonal. Não descuide das datas de novas aplicações de vacinas e vermífugos e leve-o regularmente ao veterinário. Mantenha-o em local seguro para não fugir (mas NUNCA acorrente seu cachorro; quanto aos gatos, devem permanecer dentro de casa, com janelas teladas). E se, por um incidente, acontecer uma fuga, será muito mais fácil reencontrar seu animal se ele estiver identificado. Passeie com seu cachorro de duas a três vezes por dia (sempre com a guia) e brinque sempre com seu animal!

- Adote cães e gatos. Mas papagaio, arara, tucano, tartaruga, jabuti, cobra, lagarto, maritaca, macaco, coruja, canário-da terra são animais que devem viver em seu habitat natural e não em gaiolas e outros ambientes fechados (mesmo que um apartamento inteiro). Não financie o tráfico de animais - para cada 10 bichos traficados, nove morrem, de acordo com a Associação Mata Ciliar. Animal silvestre não é pet!

- Não frequente locais que exploram animais como "entretenimento": rodeios, vaquejadas, zoológicos, circos, aquários etc. Muitas pessoas desconhecem a crueldade por trás de algumas "atrações" que usam animais e acabam tornando-se cúmplices desses maus-tratos ao frequentá-las - principalmente durante viagens -, pagando ingresso e, com isso, financiando essa barbárie. Você pode fazer muito pelos animais simplesmente boicotando esses lugares (e falando a respeito para todos os seus conhecidos). Saiba mais:

As "atrações" mais cruéis do mundo

Maior site de turismo no mundo, TripAdvisor não venderá mais ingressos para atrações turísticas com animais

6 razões pelas quais não visito mais zoológicos, parques marinhos ou qualquer outra instalação que exiba animais

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- Não use couro ou qualquer outro tecido (lã, pele, seda) arrancado do corpo de animais. Se você viu os vídeos que indicamos acima sobre a indústria do couro de jacarés, já tem uma ideia do porquê.

- Não coma animais. Por que amar uns e comer outros? Adotar uma dieta vegetariana pode parecer difícil para quem comeu carne a vida inteira, mas, acredite, é perfeitamente possível e viável. Recomendamos, em primeiro lugar, que você assista ao filme Terráqueos, narrado pelo ator Joachin Phoenix, que mostra a realidade da indústria não apenas da carne, mas de tudo o que falamos nesta postagem: couro, "entretenimento", comércio de animais etc.

A Carne É Fraca, produzido pelo Instituto Nina Rosa, é outro documentário, nacional, que foca a indústria da carne e derruba ainda os argumentos falaciosos de "bem-estar" animal e "abate humanitário". Estes são termos empregados pela indústria para fazer o consumidor acreditar que os animais que está comendo tiveram uma vida linda em uma idílica fazendinha até que foram gentilmente convidados a adentrar os portões do Paraíso. Veja o filme, todo gravado em locais que se orgulham em alardear que praticam "abate humanitário" (expressão que já é em si mesma um completo contrassenso) e imagine como é onde não existe "humanitarismo" - entenda também um pouco melhor o "bem-estarismo" aqui. 

E existem muitos outros filmes, mas comece por esses. Se você REALMENTE gosta de animais, não apenas de cães e gatos, se dará conta de como vivia alheio ao sofrimento extremo e dor a que essas criaturas inocentes passam todos os dias, sob as mais diversas formas. É o primeiro passo para a maior e melhor mudança da sua vida. 

Depois, aprenda com quem já vive esse estilo de vida: pergunte, pesquise. Use as redes sociais para expandir seu conhecimento sobre vários assuntos, inclusive esse, que é vital para você e um imensurável número de vidas. Há diversos grupos sobre o tema no Facebook. Listamos abaixo alguns deles:

Troll Ajuda disponibiliza um tópico fixo com uma lista de produtos (não só para alimentação) livres de crueldade animal e oferece sempre diversas dicas para iniciantes e "veteranos";

Veganismo é um dos maiores grupos sobre o tema no Facebook, com quase 50 mil membros sempre compartilhando experiências e tirando dúvidas;

Veganismo Popular desmitifica a ideia de que veganismo é caro. É perfeitamente viável seguir uma alimentação diária sem crueldade animal e sem maltratar o bolso;

Musculação Vegana é voltado para os praticantes de atividades físicas. Nele, você pode ver como é preconceituosa e errada a ideia que algumas pessoas tentam propagar, de que vegetarianos estritos são fracos fisicamente (muito pelo contrário, são mais fortes e saudáveis). O grupo oferece diversas dicas de alimentação e suplementação vegana.

Existem ainda sites e blogues com deliciosas receitas veganas, simples e baratas de fazer. Eis alguns: 




Viewganas (canal do YouTube especializado em versões veganas de receitas tradicionais com carne) 

Já a Revista dos Vegetarianos é uma publicação mensal (impressa e on-line) com excelente conteúdo que vai bem além de receitas, focando a saúde como um todo. 

Mapa Vegano lista diversos estabelecimentos em todo o Brasil, abrangendo produtos e serviços de alimentos e bebidas, higiene e beleza, roupas e acessórios, ONGs e outros. 

E para dar uma força aos iniciantes, o Mercy for Animals Brasil disponibiliza um Guia Vegetariano gratuito em seu site. Nele, você encontra diversas informações que podem norteá-lo no começo de uma nova vida. O Desafio 21 Dias Sem Carne também pode ser uma boa forma de você começar - e descobrir que consegue abolir definitivamente os animais do seu cardápio.

Mas já saiba desde o começo que abraçar o veganismo é uma mudança e tanto, que fará um imenso bem para você, para os animais e para o planeta.

Não existe diferença. Todos têm direito a uma vida livre e digna, sem sofrimento ou exploração (Montagem da Mercy for Animals sobre fotos de Mark Hintsa e Ryan Hyde)

Ativista coloca outdoor sobre veganismo em movimentada avenida de Brasília

    Foto: Divulgação


Dez de novembro de 2016. Em Águas Claras, cidade-satélite de Brasília (DF), um outdoor inusitado podia ser visto por quem passava pela movimentada avenida Castanheiras. Na imagem, um porco atrás das grades e o seguinte questionamento: "Já pensou ficar a vida toda preso em seu carro?".

O trabalho, que junto com a reflexão trazia um convite para o público conhecer o documentário Terráqueos - um dos mais conhecidos para conscientização sobre o veganismo -, foi obra do ativista vegano Leonardo Machado, que percebeu essa nova forma de conscientizar as pessoas e contratou o espaço para promover o tema.

O site Mapa Veg entrou na época em contato com o ativista para saber mais a respeito e fez uma entrevista com ele. Confira.

Mapa Veg - Leonardo, que importância você vê nesse tipo de ativismo?

Leonardo Machado - Com o outdoor, podemos atingir um público bastante diversificado que não teria acesso a essas informações exclusivamente por meio das redes sociais. É importante levarmos à população uma mensagem curta e direta que provoque um questionamento interno. Todo o sofrimento que causamos aos animais não é por pura maldade, mas simplesmente por ignorância. A maioria dos consumidores não chegou a fazer uma escolha entre explorar animais ou não explorar. As pessoas simplesmente reproduzem comportamentos que lhes foram transmitidos como normais.

Quando deparadas com uma oportunidade de conhecer o outro lado, aí sim, poderão tomar uma atitude que então chamaremos de escolha. Acredito que a educação é o fator-chave para o veganismo, muito mais forte que leis, ativismo político e proibições impostas. Cada um se desperta para um determinado tema de uma forma bastante peculiar. Se eu conseguir que pelo menos 1% das pessoas que virem o outdoor acessem o link terraqueos.org lá indicado, isso já será uma grande conquista. Se desses que assistirem ao vídeo, 1% se tornar vegano, será mais uma vitória!

Mapa Veg - O outdoor está localizado em qual local exatamente?

Leonardo Machado - Está localizado bem no início da av. Castanheiras, em Águas Claras, Brasília (DF). 

Mapa Veg - Qual o período de vigência da publicidade?

Leonardo Machado - Um mês.

Mapa Veg - E as dimensões do outdoor?

Leonardo Machado - 9 m x 3,60 m.

Mapa Veg - Você teve alguma dificuldade para ter a publicidade aprovada por causa do tema?

Leonardo Machado - A empresa dona do espaço me questionou diversas vezes sobre qual seria o tipo de imagem a ser exposta. Segundo eles, o GDF (Governo do Distrito Federal) poderia causar problemas caso mostrassem imagens fortes. Enviei então um rascunho de como seria o outdoor e foi imediatamente aprovado. O dono da empresa, BPA Painéis, se mostrou inclusive bastante solidário à causa e se propôs a prolongar o período de exposição por mais um mês sem custos extras.

Mapa Veg - Como outros ativistas podem colocar uma publicidade semelhante em suas cidades e qual foi o custo do serviço?

Leonardo Machado - O primeiro custo é o aluguel do espaço. Em todo outdoor, há um pequeno anúncio onde está o nome e o telefone da empresa responsável por ele. Basta então ligar e consultar o custo e a disponibilidade. Locais de grande circulação de carros, como EPTG, EPIA, Estrutural, EPNB (rodovias de Brasília) são os mais caros, em torno de R$ 2.200/mês. Áreas mais residenciais custam a partir de R$ 800/mês [custos em Brasília - consulte os serviços de outdoor em sua cidade].

O segundo custo é a produção da arte. No meu caso, eu mesmo fiz, pois tratava-se de algo tecnicamente bastante simples. O trabalho pode ser feito em programas como Photoshop, Gimp, Corel ou qualquer ferramenta mais profissional de manipulação de imagem. Como a imagem terá uma grande dimensão, muito provavelmente ela será ampliada, portanto usem imagens com bastante definição para que não percam qualidade na ampliação.

O terceiro custo é a impressão. Dependendo do outdoor, você irá usar lona ou papel. Lona é usada em painéis mais modernos com iluminação noturna. A vantagem da lona é sua durabilidade de seis meses, podendo ser reutilizada. A desvantagem é o custo maior. Para meu outdoor, paguei R$ 800,00 pela impressão. O local para imprimir a arte, geralmente, já é uma indicação da própria empresa dona do outdoor. Quando a arte estiver impressa, a empresa buscará e fará a instalação para você. O custo da instalação já está incluso no aluguel do espaço.

Obviamente, existe toda uma ciência de marketing para tornar a mensagem mais efetiva. Como não tenho formação em publicidade ou marketing e sou apenas um curioso, busquei algumas dicas rápidas na internet, como o uso recomendado da fonte Arial e a priorização de uma mensagem curta, direta e que instigasse o público.

Devido aos altos custos dessa empreitada, pretendo buscar algum apoio para os próximos outdoors por meio de crowdfunding (financiamento coletivo) ou de uma discreta publicidade de lojas e restaurantes veganos da cidade. Pretendo também explorar outras fontes de publicidade como outdoors virtuais no Facebook por meio de postagens patrocinadas.

Agradeço de coração por esse espaço cedido. Espero que inspire outros a diversificarem as formas de ativismo.

Mantenho também um canal no YouTube chamado Argumentos Veganos, caso queiram conhecer um pouco mais da minha visão sobre o veganismo.

Abraços e sucesso para o Mapa Veg e para o veganismo!

Fonte: Mapa Veg 

Celebridades e animais: o lado iluminado e o lado sombrio da força

Fotos: Metro UK (acima) e Instagram / Reprodução


As páginas sobre celebridades trouxeram recentemente duas notícias antagônicas: a primeira relata que Gary, o cão de Carrie Fisher, foi adotado por sua filha, a também atriz Billie Lourd, após a morte da mãe; já a segunda conta que Todd, de sete meses, foi abandonado pelo cantor Justin Bieber.

Nas redes sociais, alguns argumentam que o chow chow de Bieber não foi abandonado, pois seu "tutor" na verdade o "deu" para um de seus dançarinos, C. J. Salvador. Quem diz algo do tipo é porque tampouco tem noção alguma sobre o significado de uma vida, porque "dar" qualquer animal para outra pessoa também é abandono, sim.

Mas a história ainda vai além: o cachorro tem uma doença chamada displasia coxofemoral e seu novo tutor está arrecadando dinheiro para a cirurgia - que custa US$ 8 mil (cerca de R$ 25 mil) - em um site de financiamento coletivo, ou seja, nem esse valor o milionário Bieber tem a sensibilidade para pagar.

E o histórico de abandono de animais do cantor é antigo: ele também já "deu" um hamster para um fã e já teve uma cobra, que leiloou para arrecadar dinheiro para caridade, e um macaco-prego, que foi confiscado por autoridades alemãs por estar viajando sem a documentação necessária. Só o fato de alguém ter em casa um macaco e uma cobra já é um grande erro, pois estes são animais silvestres, que não são pet e devem viver na natureza. Além disso, mesmo que para fins de caridade, animal nenhum é um objeto como um relógio ou uma bolsa para ser leiloado. Quanto ao macaco, foi levado para um parque, pois Bieber não demonstrou nenhum interesse em tê-lo de volta - na época, as autoridades alemãs apenas receberam um comunicado do staff do cantor sugerindo que levassem o bicho para um zoológico.

Outro ponto importante a ser destacado é que a displasia coxofemoral, uma doença comum em cachorros de porte grande (principalmente chow chow, golden retriever e pastor alemão), costuma ocorrer devido a cruzamentos consanguíneos realizados por criadores. Não sabemos a procedência do Todd nem do Gary, e provavelmente ambos foram comprados de uma fábrica de filhotes, mas o fato é que muitas pessoas, mesmo as que gostam verdadeiramente de animais, ainda compram seus amigos peludos por desconhecerem o que há por trás desse comércio. Por isso, nós, da causa animal, usamos toda oportunidade que surge para alertar sobre os maus-tratos aos animais usados para procriação e o que pode acontecer com seus filhotes. No fim deste texto, indicamos outras postagens para que você conheça a realidade da criação e comércio de animais de estimação.

Escrevemos estas linhas para mostrar que não importa se estamos no Brasil, Hollywood ou qualquer outro lugar do planeta: existem pessoas que compreendem o significado de uma vida e existem aquelas que consideram animais meros produtos descartáveis. Fazendo um paralelo com os filmes da franquia Guerra nas Estrelas (Star Wars), pelos quais Carrie Fisher se tornou imortal por meio de seu personagem, Princesa Leia: é o lado iluminado e o lado sombrio da força.

E você, de qual lado está?



Sobre as fábricas de filhotes e comércio de animais:

Nunca compre um animal. Adote!

Cadela nasce sem parte do cérebro e fica cega devido à exploração de fábrica de filhotes

A crueldade das fábricas de filhotes

ONG brasileira PEA lança campanha pela adoção de animais com vídeo incrivelmente bem feito

4 dicas para a saúde bucal do seu cão



Você costuma verificar a saúde bucal do seu cachorro? Se sua resposta foi não, talvez esteja na hora de mudar alguns hábitos.

Muitas pessoas não sabem, mas assim como os humanos, os cães podem ter diversos problemas nos dentes e na gengiva, como tártaro, gengivite e cárie.

Fique atento nessas quatro dicas para a saúde bucal do seu cachorro:

1. Consulte o veterinário 

Durante as consultas do seu cão, sempre pergunte ao veterinário sobre os dentes e gengiva do seu companheiro. Inclusive, pergunte se ele corre algum risco específico de desenvolver algum problema bucal e o que o profissional recomenda como forma de prevenção.

2. Ensine seu cachorro que examinar os dentes é normal 

Nem sempre é fácil mexer na boca de um cão. Alguns cachorros não estão acostumados a terem seu dentes examinados. É importante ensinar o cachorro que é normal ter alguém verificando se está tudo bem com seus dentes. Você pode fazer isso por etapas: comece tocando apenas os lábios e depois levante os lábios, abrindo o focinho e tocando os dentes com cuidado. Tudo isso deve ser feito aos poucos e nunca ultrapasse os limites do cachorro; respeite o tempo que ele pode levar para se acostumar.

3. Fique atento aos sinais 

Após acostumar seu cachorro a ter a boca examinada, fique alerta com qualquer alteração nos dentes e gengiva. Se notar qualquer caroço, lesão ou fratura, procure o veterinário. Além disso, preste atenção na respiração do seu cão: se estiver muito ofegante, pode ser sinal de que algo está errado. A falta de apetite e perda de interesse em brinquedos também podem ser causadas por problemas dentais.

4. Escovar os dentes 

A melhor maneira de prevenção é a escovação dental, para retirar a película de bactérias dos dentes antes que se transforme em placa e cause danos aos dentes e gengiva. Em relação à pasta de dente, será mais agradável para seu cão se tiver sabor de carne. Nunca use a pasta de dente de humanos, porque os ingredientes podem causar irritações nos cachorros.



NOTA DA NATUREZA EM FORMA:

Em nosso Centro de Adoção, temos dentista a preços solidários.