Carteiro escreve cartas para não decepcionar cadela que ama pegar correspondência


Esqueça a birra entre cães e carteiros. A cadela Pippa, de Brisbane, na Austrália, é fã do carteiro do bairro e gosta de pegar a correspondência de sua família todos os dias. Mas nem sempre há cartas para a casa e, para não decepcioná-la, o carteiro Martin Struder escreve cartões postais e entrega a ela.



Struder compartilhou a história em seu Facebook e, rapidamente, encantou milhares de pessoas, que compartilharam as fotos da cadela feliz com sua cartinha. “Às vezes, Pippa sai para receber as cartas, mas não há nada para ela recolher. Então, eu tenho que improvisar”, escreveu o carteiro. No texto escrito para a cadela, ele demonstrou o carinho ao escrever “Carta para Pippa” ao lado de dois corações. Pippa, claro, pareceu bem contente com a iniciativa.




Fonte: Extra

Veja a postagem de Martin Struder sobre Pippa aqui.

Veganismo na infância não é crime - os riscos da falta de informação


Por Dr. Eric Slywitch*


"Dieta vegana para crianças pode virar crime na Itália." Devo dizer que, ao ler o título dessa notícia, demorei alguns segundos para entender se era isso mesmo. E é!

O projeto de lei foi proposto por um partido conservador no Parlamento Europeu e tenta transformar o veganismo infantil em crime. Os pais seriam processados por "infantoveganismo".

Consta no projeto que os pais podem ser processados por "imposição de dieta destituída de elementos essenciais ao crescimento infantil".

Já começa que "elementos essenciais" está no plural, sendo que o único elemento (e, portanto, singular) que pode estar ausente numa dieta vegetariana estrita é a vitamina B12. Essa vitamina é, de fato, fundamental para o nosso organismo e todas as diretrizes de acompanhamento de crianças vegetarianas recomendam sua suplementação. E não é só a dieta vegana que traz recomendações de suplementação, já que diversas diretrizes nacionais e internacionais preconizam, para crianças onívoras, a suplementação de ferro, vitamina A e vitamina D. Da mesma forma, nosso sal recebe iodo adicionado e as farinhas recebem ferro e ácido fólico. 

Tais cuidados foram tomados com a população onívora porque ao longo de décadas constatou-se potencial risco de deficiência desses nutrientes. O ferro pela rápida demanda do crescimento (sangue, músculos) ou perda de sangue intestinal por verminoses. A vitamina A ou betacaroteno pela ingestão inadequada de alimentos fontes (que em grande parte são do reino vegetal). A vitamina D pela insuficiente exposição à luz solar, impossibilitando nosso organismo de sintetizá-la. O iodo pelo risco de baixa produção de hormônio tireoidiano e bócio por ingestão insuficiente de alimentos que o contenham, tendo em vista que seu teor depende muito do local de cultivo do alimento. Ácido fólico pela ingestão insuficiente de frutas e verduras cruas.

Há todo um olhar de cuidado para a população com os hábitos mais comuns. Mas quem é minoria tende a ser desconsiderado quando se fala em saúde coletiva.

Para o partido italiano, punir parece ser mais fácil que educar. Educar os profissionais de saúde, que saem das universidades cheios de dúvidas sobre a condução da dieta vegetariana (de todos os tipos), e educar os pais, que muitas vezes têm ideias errôneas sobre a alimentação infantil. E na falta de educação de profissionais e pais, quem perde é a criança.

Há mais de 10 anos, atendo gestantes e crianças veganas, que estão sob meus cuidados crescendo e se desenvolvendo com saúde e segurança. Muitos dos pais que me procuram chegam desesperados pelo terrorismo infundado de profissionais de saúde que não leram as publicações sobre o assunto, reproduzindo os equívocos comuns que ouviram na faculdade.

Quando comecei a trabalhar com o vegetarianismo e crianças, juntei mais de 500 artigos científicos e comecei a ler, na íntegra, cada um deles, desde as primeiras publicações, que são da década de 1970. Li e resumi 150 deles, e faltam os demais ainda para poder criar um material bem sólido e robusto sobre o assunto, que possa ser usado por profissionais de saúde. Os títulos de grande parte deles são assustadores, ressaltando problemas ao adotar a dieta vegetariana. Mas quando lemos os materiais e métodos dos artigos, vemos claramente os erros alimentares e as conclusões errôneas dos autores. Muitas das crianças ditas vegetarianas não são vegetarianas (há inclusive várias que consumiam peixe diariamente ou eram macrobióticas) e condutas alimentares estranhas eram introduzidas às crianças, que teriam problema mesmo se a carne estivesse no cardápio.

Vou contar sobre três estudos. Mas antes, para os que não sabem, vale a pena saber que o leite materno é o alimento ideal (e deve ser o alimento exclusivo) para o bebê até seis meses de vida. Na impossibilidade de uso do leite materno, uma fórmula infantil com as características similares ao leite materno deve ser ofertada em seu lugar.

Vamos aos casos.

Em uma das publicações "científicas", uma comunidade religiosa (israelitas/hebreus negros) determinou que todas as crianças nascidas na comunidade deveriam, aos três meses de vida, ser retiradas do peito da mãe e alimentadas exclusivamente com suco de maçã com couve e um extrato ralo de soja. Obviamente, várias crianças, após algumas semanas, foram levadas para o hospital local (fora da comunidade) com desnutrição importante. Os artigos científicos publicados sobre esses relatos de caso fazem alarde aos problemas de crescimento decorrentes da dieta vagana ofertada para crianças. Dieta vegana? Isso não é uma dieta vegana! É uma invenção de conduta alimentar sem carne e derivados animais. As crianças ficariam desnutridas da mesma forma se nessa dieta houvesse um caldinho de carne.

Outro caso foi de uma família de judeus ortodoxos que cuidavam do quinto filho. O vizinho disse a eles que, se trocassem o leite materno por leite de gergelim, o bebê (com quatro ou cinco meses de vida) cresceria forte, saudável e sem alergias. Os pais do bebê fizeram isso. Detalhe: não havia nenhum vegetariano nessa história. Após algumas semanas, os pais tiveram de levar a criança ao pronto-socorro, pois algo estranho estava ocorrendo. O aporte calórico do leite de gergelim foi suficiente para manter o bom peso do bebê, mas ele estava com uma carência importante de magnésio (hipomagnesemia). Desse caso, surgiu um artigo dizendo que a dieta à base de vegetais é imprópria para crianças. Dieta à base de vegetais? Ou será que seria melhor publicar algo do tipo "a troca do leite materno por leite de oleaginosas é imprópria para a nutrição infantil"? Esse artigo tem, em seu localizador, como palavras-chave, "dieta vegetariana", e traz a impressão, ao ler seu título e resumo, de que estamos falando de dietas vegetarianas. Só vemos que não é isso ao lermos o trabalho na íntegra.

Há uma publicação numa revista de endocrinologia brasileira que relata o caso de uma menina que começou a apresentar desenvolvimento puberal precoce. Os pais, vegetarianos, ofertavam só alimentos com soja para a criança. E isso faz os profissionais desinformados pensarem que isso é uma dieta vegetariana! Novamente vamos pensar: se nessa dieta da soja que a menina recebeu houvesse um caldinho de carne, ela teria os mesmos problemas, mas daí não seria vegetariana, porque o que foi ofertado a ela não é uma dieta vegetariana, mas sim uma dieta de soja (sem carne).

Relatos e conclusões equivocadas como essas são comuns na literatura científica. Por outro lado, temos vários trabalhos que mostram que a dieta vegana bem planejada (como deve ser qualquer dieta - e não é à toa que os pediatras passam parte de suas consultas ensinando os pais a montar a dieta dos bebês onívoros) promove crescimento e desenvolvimento perfeitos. As diretrizes sobre o que deve ser feito com o cardápio das crianças é bastante simples. E a suplementação de B12 é universalmente recomendada.

Não é crime criar um filho vegano, pois os pais sempre procuram passar seus valores aos filhos. Inclusive a imposição de comer carne é muito comum em nossa sociedade, e grande parte das pessoas achar normal forçar alguém a comer carne quando esse alguém não quer. Crime talvez seja um sistema de ensino médico e nutricional não fornecer elementos para que os alunos saiam da faculdade sabendo avaliar, com certeza e segurança, o estado nutricional de proteína, ferro, cálcio e vitamina B12 de um paciente e sem saber como conduzir uma criança vegana. 

Como profissionais de saúde, aprendemos que aquilo que não sabemos tratar ou conduzir encaminhamos para quem sabe. É diferente de: se eu não sei conduzir, tratar, ou só ouvi falar sobre o tema, eu invento mentiras e crio terrorismo em cima.

Muitas linhas filosóficas sugerem condutas de risco para crianças veganas e isso deve ser desmitificado pelo profissional de saúde que atende os pequenos vegetarianos.

O problema que está em discussão aqui não é a segurança de uma dieta vegana, pois isso já é bem sólido na literatura científica. A discussão aqui é sobre ignorância (condição em que a pessoa não tem conhecimento da existência ou funcionalidade de algo), seja dos pais, seja dos profissionais de saúde, seja das políticas públicas, seja da forma com que o projeto de lei está sendo proposto.

A opção pela alimentação vegetariana vai aumentar cada vez mais, pois não há mais possibilidades ambientais de isso não acontecer.

As políticas públicas terão de olhar para isso e as diretrizes de entidades de classe ou especialidades médicas deverão ensinar os profissionais a conduzir os pais que seguem a dieta vegetariana. Mesmo porque desencorajar uma família vegana a criar um filho vegano, especialmente se a opção foi por questões éticas, é uma tentativa inglória, e corre-se o risco de os pais buscarem, sozinhos, orientações totalmente errôneas, colocando a criança em risco.




* Fonte: Dr. Eric Slywitch, em sua página no Facebook

Foto: Free Images

Morrissey cria jogo para defender animais e promover o veganismo




Em vez de caçar Pokémon, que tal salvar da morte animais indefesos, como galinhas, perus, porcos e vacas no smartphone?

O desafio foi lançado pelo vocalista Morrissey, ex-líder da banda inglesa The Smiths, e pela PETA, ou People for the Ethical Treatment of Animals, organização de defesa dos animais sediada nos Estados Unidos.

O cantor e a ONG são parceiros no jogo This Beautiful Creature Must Die ('Esta Linda Criatura Deve Morrer', em tradução livre), lançado semana passada e distribuído gratuitamente pelo site da PETA para os sistemas iOS e Android.

Com um visual retrô, que simula um videogame dos anos 1980, o jogo exige rapidez do jogador, cuja missão é clicar nos animais antes que eles cheguem ao lado inferior da tela, onde serão abatidos.

Para aumentar o grau de dificuldade, o jogador tem ainda de evitar bombas que, se acionadas, acabam com o jogo.




Em comunicado à imprensa, o vice-presidente de Marketing da PETA, Joel Bartlett, disse que o jogo tem uma vibração nostálgica e divertida, mas acima de tudo chama a atenção para o fato de a pecuária ser hoje a maior ameaça à saúde humana, aos animais e ao meio ambiente.

Para além de conscientizar, o jogo tem como objetivo mudar comportamentos.

“Depois de dominar o game, o jogador pode salvar os animais e a Terra na vida real tornando-se vegano”, disse Bartlett, referindo-se à filosofia de vida que rejeita o consumo de qualquer alimento ou produto de origem animal.

Adepto do veganismo há décadas, o vocalista Morrissey disse que o jogo é a “maior cruzada social de todas”.

“Permite-nos salvar seres indefesos da violenta agressão humana; você não pode ter isso com Pokémon Go”, comparou o artista.

Além de estar por trás da concepção do jogo, desenvolvido pela empresa de tecnologia This is Pop, Morrissey liberou um trecho do clássico de 1985 Meat Is Murder* para tocar em looping durante o game.

Já a íntegra da música foi cedida para um vídeo de conscientização da PETA, editado com cenas de animais abatidos e processados pela indústria da alimentação.



Agressões

Com cinco milhões de associados, a PETA vem denunciando as agressões contra os animais há 36 anos.

Segundo a organização, os abusos ocorrem em grande escala nas indústrias de carne e laticínio, onde aves ainda vivas têm o pescoço cortado, suínos têm unhas e testículos arrancados sem anestesia e bezerros são separados da mãe antes de completar 48 horas de nascidos.



Fonte: Blog Mundo Possível



NOTAS DA NATUREZA EM FORMA:

*1. Letra traduzida de Meat Is Murder:

Carne é assassinato


O lamento do bezerro poderia ser choro humano

A faca gritante se aproxima

Esta linda criatura deve morrer

Esta linda criatura deve morrer

Uma morte sem razão

E morte sem razão é assassinato

E a carne que você frita com tanto esmero

Não é suculenta, saborosa ou gentil

É morte sem razão

E morte sem razão é assassinato

E o vitelo que você destrincha com um sorriso é assassinato

E o peru que você fatia festivamente é assassinato

Você sabe como os animais morrem?



Os aromas da cozinha não são muito caseiros

Não é reconfortante, animado ou amigável


É o sangue crepitante e o fedor profano de assassinato

Não é natural, normal ou bondoso

A carne que você frita com tanto esmero

A carne em sua boca


Enquanto você saboreia o sabor de assassinato

Não, não, não, é assassinato


Não, não, não, é assassinato

Oh, e quem ouve quando os animais choram?



2. Animais não são alimento, nenhum deles. Eles não são comida nem escravos dos humanos. Sentem como todos nós e por isso merecem a vida e a liberdade. A alimentação vegetariana estrita, sem carne de qualquer tipo ou derivados (laticínios, ovos, mel), já está provada como sendo a mais saudável para os humanos. Quem opta pelo veganismo (que engloba não somente a dieta vegetariana estrita, como também o não uso de roupas e acessórios de couro, lã, pele e seda, assim como o boicote a "atrações" que exploram os animais, como zoológicos, circos e aquários, e a empresas que fazem testes em animais) está fazendo um bem pelos animais e para sua própria saúde e vida. E não é difícil nem caro. Quer uma ajuda para começar a parar de comer carne? O primeiro passo é a informação. Aprenda com quem já vive esse estilo de vida: pergunte, pesquise. Use as redes sociais para expandir seu conhecimento sobre vários assuntos, inclusive esse, que é vital para você e um imensurável número de vidas inocentes. Há diversos grupos sobre o tema no Facebook. Listamos abaixo alguns deles:

Troll Ajuda disponibiliza um tópico fixo com uma lista de produtos (não só para alimentação) livres de crueldade animal e oferece sempre diversas dicas para iniciantes e "veteranos".

Veganismo é um dos maiores grupos sobre o tema no Facebook, com quase 50 mil membros sempre compartilhando experiências e tirando dúvidas. 

- Veganismo Popular desmitifica a ideia de que veganismo é caro. É perfeitamente viável seguir uma alimentação diária sem crueldade animal e sem maltratar o bolso.

- Musculação Vegana é voltado para os praticantes de atividades físicas. Nele, você pode ver como é preconceituosa e errada a ideia que algumas pessoas tentam propagar, de que vegetarianos estritos são fracos fisicamente (muito pelo contrário, são mais fortes e saudáveis). O grupo oferece diversas dicas de alimentação e suplementação vegana.


Existem ainda sites e blogues com deliciosas receitas veganas, simples e baratas de fazer. Estes são alguns:

Já a Revista dos Vegetarianos é uma publicação mensal (impressa e on-line) com excelente conteúdo que vai bem além de receitas, focando a saúde como um todo.

Mapa Vegano lista diversos estabelecimentos em todo o Brasil, abrangendo produtos e serviços de alimentos e bebidas, higiene e beleza, roupas e acessórios, ONGs e outros.

E para dar uma força aos iniciantes, o Escolha Veg / Mercy for Animals Brasil disponibiliza um Guia Vegetariano gratuito em seu site. Nele, você encontra diversas informações que podem norteá-lo no começo de uma nova vida. O Desafio 21 Dias Sem Carne também pode ser uma boa forma de você começar - e descobrir que consegue abolir definitivamente os animais do seu cardápio.

Mas já saiba desde o começo que abraçar o veganismo é uma mudança e tanto, que fará um imenso bem para você, para os animais e para o planeta.

Pecuária é responsável por mais de 80% do desmatamento no Brasil

Participação do pastoreio no desflorestamento é maior no Brasil do que 
em outros seis países da região / Foto: iStock by Getty Images


Mais de 80% do desflorestamento ocorrido no Brasil no período de 1990 a 2005 foi associado à conversão de terras em terrenos de pastoreio, mostrou relatório divulgado em 18 de julho de 2016 pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), denominado O Estado das Florestas no Mundo.

A participação do pastoreio no desflorestamento é maior no Brasil do que em outros seis países da região analisados no mesmo período: Argentina, Bolívia, Paraguai, Venezuela, Colômbia e Peru, de acordo com a FAO.

Segundo a agência da ONU, além do pastoreio, o cultivo comercial foi responsável por cerca de 10% do desflorestamento no Brasil no período analisado, enquanto outras formas de exploração da terra, cultivo em pequena escala, agricultura mista e infraestrutura responderam juntos pelos demais 10%.

Na análise dos sete países consolidados, o estudo apontou que 71% do desflorestamento ocorreu devido ao aumento da demanda de pastos; 14% devido aos cultivos comerciais e menos de 2% devido à infraestrutura e à expansão urbana.

A expansão dos pastos causou a perda de ao menos um terço das florestas em seis dos países analisados. A exceção foi o Peru, onde o aumento das terras cultiváveis em pequena escala foi o fator dominante para 41% do desflorestamento.

Na Argentina, a expansão dos pastos foi responsável por 45% do desflorestamento, enquanto a expansão de terras cultiváveis comerciais respondeu por mais de 43%.

Clique aqui para acessar o estudo.

Fonte: Ciclo Vivo, com informações da ONU

Especialista em nutrição vegetariana explica como tirar a carne da alimentação



O médico especialista em nutrologia e autor de livros como Alimentação sem Carne – Guia Prático e Virei Vegetariano. E Agora?, Eric Slywitch, falou com o blogue Vegetarianismo, Etc e Tal sobre estilo de vida, saúde e diferentes possibilidades de dietas vegetarianas.

Entre outras coisas, Slywitch esclarece que, se não desejar, o vegetariano não precisa comer soja. Sua justificativa é que, quando a carne (qualquer tipo: de bois, frangos, porcos, peixes etc.) é suprimida da alimentação, ela deve ser substituída pelo grupo das leguminosas. Portanto, é hora de investir no consumo de feijões, lentilha, ervilha e grão-de-bico, pois estes alimentos vão garantir as proteínas que o corpo demanda.

É importante frisar que, atualmente, existem versões vegetarianas diversas de produtos de origem animal. Você já deve ter deparado com linguiças, salsichas, hambúrgueres e até bacon na versão cruelty free. A presença desses alimentos nas prateleiras de supermercados é explicada pelo fato de que, quando optam por uma dieta vegetariana, muitas pessoas fazem essa escolha por não concordarem com o abate e consumo de animais, assim como por preocupação com o meio ambiente e a própria saúde. Isso não significa, contudo, que elas não apreciem o sabor de carnes e outros alimentos produzidos a partir de exploração animal.

Mas Slywitch atenta para o alto teor de sódio e conservantes que os industrializados vegetarianos costumam apresentar. “Se você consegue fazer a refeição e congelar ou encontrar algumas marcas que têm praticamente nada de conservantes ou não possuem alta quantidade de sódio, essa seria uma maneira mais interessante para buscar uma alimentação saudável”, pontua. Ele ainda frisa que uma dieta vegetariana bem estruturada apresenta vantagens à saúde e é viável para pessoas de todas as classes sociais. Confira todas as respostas do médico e tire suas dúvidas.

Vegetarianismo, Etc e Tal: Quais os primeiros passos a serem adotados durante a transição para uma dieta vegetariana?

Eric Slywitch: O primeiro passo é buscar informação. A gente vê hoje vários motivos que levam alguém a adotar uma dieta vegetariana. A ética em relação aos animais geralmente é um dos mais comuns, mas a questão do meio ambiente está tomando uma proporção muito grande, porque estamos vendo o quanto a pecuária destrói o meio ambiente e vem trazendo mudanças climáticas. Esses são fatores que, quando você conhece, alimentam o seu desejo de se manter vegetariano ou de se tornar.

E é importante estudar um pouquinho para conhecer o que a gente busca na alimentação para fazer uma troca saudável. Então, lembrando que, quando a gente tira a carne, o alimento de substituição não é ovo nem queijo, mas sim o grupo das leguminosas, que são os feijões, ervilha, lentilha e grão-de-bico. Leguminosas devem substituir as carnes.

O vegetariano não precisa comer soja se ele não quiser, não há essa necessidade. Eu diria que fazer um estudo é o principal ponto para você adotar uma dieta vegetariana com tranquilidade.

Leguminosas devem substituir as carnes


Vegetarianismo, Etc e Tal: O que você pensa sobre produtos vegetarianos congelados e/ou industrializados? É possível aliá-los a um estilo de vida saudável?

Eric Slywitch: Acho necessário tomar muito cuidado, porque muitos alimentos vegetarianos congelados ou industrializados são alimentos com alto teor de sódio – alguns têm conservantes, têm gordura de má qualidade. Mas se você consegue fazer a refeição e congelar ou encontrar algumas marcas que têm praticamente nada de conservantes ou não possuem alta quantidade de sódio, essa seria uma maneira mais interessante para buscar uma alimentação saudável.

Hoje em dia, tem leite condensado vegano [que não apresenta nenhum produto de origem animal], bolacha recheada vegana e muito alimento porcaria vegano. A gente precisa tomar cuidado para não cair na má alimentação também dentro de uma dieta vegetariana.

Vegetarianismo, Etc e Tal: Durante a transição para uma dieta vegetariana, é possível que a falta de carne afete a disposição de uma pessoa? Ou seja, interromper a ingestão de carne pode deixar uma pessoa com menos energia para as tarefas do dia a dia?

Eric Slywitch: Tudo vai depender de como é essa alimentação com carne que a pessoa tem. Se é alguém que come muita carne, cuja base da dieta é carne, quando ela tira [a carne], se não substituir pelos feijões – mas substituir por verduras e legumes, por exemplo –, é possível, sim, que ela tenha uma baixa ingestão de proteína.

Então, por isso é importante que a pessoa que vai fazer uma mudança optar por escolhas saudáveis. Mesmo a pessoa que está comendo carne deve fazer sua alimentação com proporções melhores, reduzindo cada vez mais as carnes e consumindo mais os cereais integrais e os feijões, para que tenha um equilíbrio melhor.

Se a pessoa faz uma dieta como é preconizado pelas entidades internacionais que recomendam carne, que seria até uma porção por dia, e ela tira essa carne, a quantidade proteica da dieta ainda excede o que ela precisa. Então tirar a carne de uma dieta com pouca carne não faz diferença alguma. Agora, tirar a carne de uma pessoa que só come carne, se ela não substituir adequadamente, pode ter alguma defasagem.

Vegetarianismo, Etc e Tal: Como o consumo de carne afeta a saúde?

Eric Slywitch: A gente tem várias colocações de riscos à saúde com o consumo de carne. Isso vai desde a gordura saturada em maior quantidade – apesar de ter alguns grupos na internet defendendo a gordura saturada, os estudos científicos não mostram esses benefícios da gordura saturada, só mostram seus efeitos negativos.

Outro ponto importante é que as carnes têm o ferro heme. Muitas pessoas falam que ele é bom porque é mais absorvido [pelo organismo] e, de fato, é mais absorvido que o ferro vegetal. Mas o ferro heme está associado com maior risco de câncer de intestino grosso, o câncer de cólon. Então, ele é um elemento nocivo.

Há vários elementos que se formam no processo de cocção da carne, como o n-nitroso, as aminas heterocíclicas e os aldeídos, que são substâncias químicas que afetam de forma bem negativa nosso organismo com relação ao risco de câncer. Além disso, alguns componentes da carne alteram a flora intestinal e isso aumenta o risco [de complicação] cardiovascular também.

Então, a gente tem uma relação de estudos sobre o consumo da carne que apontam aumento de risco cardiovascular, risco de diabetes e risco de câncer. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) tem um parecer oficial que diz que as carnes processadas são nível 1A de evidência com relação a risco de câncer de intestino. Estar no nível 1A quer dizer que a gente não tem dúvida alguma de que ela causa câncer. Então, quanto menos a pessoa consumir, melhor.

Vegetarianismo, Etc e tal: Uma dieta vegetariana é viável para pessoas de todas as classes sociais? É possível abdicar do consumo de carne, leite e ovos tendo poucos recursos?

Eric Slywitch: Sim, se a gente troca as carnes pelas leguminosas – que são as fontes proteicas e de ferro –, a gente vê que a carne costuma ser mais cara que o feijão. Então, essa simples troca já deixa a alimentação com um preço viável. As outras modificações são modificações que a gente teria de fazer para qualquer dieta, para que ela se tornasse mais saudável, que é buscar o alimento integral e evitar o alimento refinado ou processado, por exemplo. Essas escolhas são para quem come carne e para quem não come. Então, o custo disso ficaria mais ou menos equivalente.

E quando a gente retira os laticínios, a gente vai buscar as fontes mais ricas de cálcio do reino vegetal. Uma fonte muito boa é o gergelim, mas existem outras fontes como couve, rúcula, agrião, brócolis, escarola, mostarda… Só temos que evitar, nas refeições com cálcio, espinafre, acelga e beterraba, porque eles contêm ácido oxálico, que dificulta a absorção do cálcio.

Então, é uma alimentação viável para todas as classes sociais. Tenho inclusive pacientes que se tornaram vegetarianos estritos quando eles tinham uma questão de dificuldade financeira, e viram que saía muito mais barato sair do supermercado sem comprar carne, queijo e ovos. Então, eles adotaram o vegetarianismo por questões financeiras.

Vegetarianismo, Etc e Tal: Ainda que o uso de agrotóxicos seja recorrente na agricultura, substituir alimentos de origem animal pelos de origem vegetal continua sendo a melhor opção?

Eric Slywitch: Sim, continua. Grande parte dos agrotóxicos é lipossolúvel, ou seja, é absorvida em gordura, estocada em gordura. Quando o animal come uma ração, tudo o que ele comeu ao longo da vida fica acumulado no tecido adiposo. Então, quando a pessoa come um frango, por exemplo, a gordura desse frango está cheia de agrotóxico, é uma quantidade muito mais concentrada da que estaria no vegetal.

A gente vê estudos com leite materno de mulheres vegetarianas e não vegetarianas, e o leite das vegetarianas acaba contendo a metade da quantidade de agrotóxicos em relação ao das mulheres que comem carne. Então, isso mostra que seria uma opção tranquila trocar a carne pelo alimento de origem vegetal. Se a gente for ver, grande parte das monoculturas de soja ou de milho é usada para fazer ração de animal. Então, todo o agrotóxico pulverizado nessas lavouras é consumido pelos animais.

Vegetarianismo, Etc e Tal: Quais os tipos de dietas vegetarianas possíveis e qual delas seria a mais saudável?

Eric Slywitch: A gente tem como conceito que a dieta vegetariana é a dieta que não inclui carne de qualquer tipo. Então, quando a pessoa tirou a carne vermelha, a carne branca e qualquer tipo de carne, ela se torna vegetariana.

Mas há vegetarianos que usam ovos e laticínios, os ovolactovegetarianos. Alguns tiram os ovos e usam os laticínios, são os lactovegetarianos. É menos comum, mas alguns tiram os laticínios e mantêm os ovos, são os ovovegetarianos. E, o que está crescendo cada vez mais, é o vegetariano estrito, que faz uma dieta estritamente vegetariana, ou seja, além da carne, não vai incluir também [na alimentação] os ovos e os laticínios.

Então, dessas dietas, em termos científicos, a que causa maior redução de doenças crônicas, de riscos cardiovasculares, de diabetes e vários tipos de câncer é a dieta vegetariana estrita. Existem alguns estudos controlados que mostram que, mesmo consumindo um alimento um pouco mais refinado, a gente tem benefícios. Mas, como hoje o junk food vegano está aumentando bastante, tem muitas opções de má qualidade para o vegano. A gente tem que tomar cuidado de, em nossas escolhas, buscar o alimento que seja mais natural e integral para que a dieta seja mais saudável.

Então, para as pessoas que não querem adotar uma dieta vegetariana estrita, é bom lembrar que, quanto menos elas utilizarem carne e laticínios, será melhor para a saúde.