Por que não somos carnívoros?

Acima, um autêntico carnívoro se alimentando 
como um autêntico carnívoro se alimenta; 
abaixo, a forma como um "carnívoro" humano obtém seu "alimento" 
(Fotos: Andrew Jones/Flickr; Seu Planeta)


Em 2006, o escritor norte-americano Douglas N. Graham publicou a primeira edição do livro The 80/10/10 Diet, lançado no Brasil com o título A Dieta 80/10/10: Balanceando sua Saúde, seu Peso e sua Vida, a Cada Doce Mordida. Em um dos capítulos, ele apresenta argumentos consistentes que provam por que é um grande engano muitas pessoas acreditarem que são carnívoras. Para endossar seu posicionamento, Graham, ex-atleta e defensor do crudivorismo, discorre sobre características que vão desde as fórmulas dentárias até a tolerância à gordura:

Fórmulas dentárias: há um sistema chamado "fórmula dentária" para descrever a disposição dos dentes em cada quadrante da mandíbula da boca de um animal. Isso se refere ao número de incisivos, caninos e molares em cada um dos quatro quadrantes. Começando do centro e movendo-se para fora, nossa fórmula é a da maioria dos antropoides: 2/1/5. A fórmula dentária carnívora é 3/1/5 a 8.

Dentes: os molares de um carnívoro são pontudos e afiados. Os nossos são primariamente retos, para triturar os alimentos. Nosso dente canino não espelha nenhuma semelhança com verdadeiras presas. Nem temos uma boca cheia deles, como um verdadeiro carnívoro tem. 

                                      Diferença entre as fórmulas dentárias (Imagem: Dr. Smilez)



Tamanho do fígado: carnívoros têm fígados maiores proporcionalmente ao seu tamanho corporal comparados aos humanos.

Andar: nós temos duas mãos e pés e andamos eretos. Todos os carnívoros têm quatro patas e fazem sua locomoção usando as quatro. 

Língua: apenas os verdadeiros animais carnívoros têm línguas grossas (ásperas). Todas as outras criaturas têm línguas suaves. 


Garras: nossa falta de garras para rasgar a pele e a carne torna essa tarefa extremamente difícil. Possuímos unhas retas e muito mais fracas em vez das garras.


Polegares opostos: nossos polegares opostos nos fazem extremamente equipados para coletar uma refeição de frutas em questão de segundos. A maioria das pessoas faz o processo sem esforço algum. Tudo o que temos a fazer é pegar. As garras dos carnívoros permitem que eles agarrem suas presas em poucos segundos também. Não podemos pegar ou rasgar a pele ou carne de um veado ou de um urso mais do que um leão poderia pegar mangas ou bananas.


Nascimento: humanos dão à luz uma criança de cada vez. Carnívoros normalmente dão à luz ninhadas. 


Placenta: temos uma placenta em forma de disco, enquanto os carnívoros têm uma placenta zonária.


Glândulas mamárias: as tetas múltiplas nos abdômens dos carnívoros não coincidem com o par de glândulas mamárias nos humanos.


Formação do cólon: nossos cólons enrolados são bem diferentes em formação se comparado aos suaves cólons dos animais carnívoros. 


Trato intestinal: nossos tratos intestinais medem aproximadamente 12 vezes o comprimento de nossos torsos (em torno de nove metros). Isso permite a absorção de açúcares e outros nutrientes que provêm da água das frutas. Em oposição, o trato digestivo dos carnívoros é apenas três vezes o comprimento de seu torso. Isso é necessário para evitar o apodrecimento e decomposição da carne dentro do animal. O carnívoro depende de secreções altamente ácidas para facilitar a rápida digestão e absorção em seu tubo bem curto. Ainda assim, a putrefação de proteínas e as gorduras rançosas são evidentes em suas fezes.


Tolerância a micróbios: a maioria dos carnívoros pode digerir micróbios que seriam mortais para os humanos, tais como os que causam botulismo. 


Sono: humanos passam em média dois terços de cada ciclo de 24 horas acordados. Carnívoros tipicamente dormem e descansam de 18 a 20 horas por dia e algumas vezes mais.


Perspiração: humanos suam através dos poros pelo corpo inteiro. Carnívoros suam através de suas línguas apenas.


Visão: nosso sentido da visão responde a todo o espectro de cores, tornando assim possível nossa distinção entre frutas maduras e não maduras a distância. Carnívoros tipicamente não veem todos os espectros de cores. 


Tamanho da refeição: frutas são do tamanho certo da nossa necessidade alimentícia. Cabem na nossa mão. Uma porção de fruta é o suficiente para uma refeição, não causando desperdício. Carnívoros normalmente comem o animal inteiro quando eles o matam.


Ingestão de líquido: se precisamos beber água, podemos sugar com nossos lábios, mas não podemos empurrá-la para dentro. As línguas dos carnívoros são protuberantes para fora a fim de poderem jogá-la para dentro, quando precisam beber. 


Vitamina C: carnívoros produzem sua própria vitamina C, enquanto para nós, este é um nutriente essencial que precisamos obter por meio da nossa própria comida. 


Movimento da mandíbula: nossa habilidade de moer os alimentos é única dos herbívoros. Carnívoros não possuem o movimento lateral de suas mandíbulas.


Tolerância à gordura: não conseguimos lidar com mais do que pequenas quantidades de gordura. Já os carnívoros prosperam em uma dieta hiperlipídica. 


Saliva e pH da urina: todas as criaturas que se alimentam de plantas (incluindo humanos saudáveis) mantêm a saliva e a urina alcalina a maior parte do tempo. A saliva e a urina dos animais carnívoros, entretanto, é ácida.


pH da dieta: carnívoros prosperam em uma dieta de alimentos acidificantes, enquanto tal dieta para humanos seria mortal, abrindo caminho para uma grande variedade de doenças. Nossos alimentos ideais são alcalinizantes.


pH ácido do estômago: o nível do pH dos ácidos clorídricos que os humanos produzem no estômago geralmente varia entre três e quatro vezes ou mais, mas podem ir tão baixo quanto 2.0 (0 = mais ácido, 7 = neutro, 14 = mais alcalino). O ácido estomacal de gatos e outros carnívoros pode ficar no alcance entre 1 e normalmente fica em 2. Por causa de a escala do 
pH ser logarítmica, isso significa que o ácido estomacal de um carnívoro pode ser 10 vezes mais forte do que um humano e pode chegar a 100 vezes mais ou até mesmo 1.000 vezes mais forte.

Uricase: carnívoros verdadeiros secretam uma enzima chamada uricase para metabolizar o ácido úrico na carne. Não secretamos essa substância e precisamos neutralizar esse forte ácido com nossos minerais alcalinos, primeiramente o cálcio. O resultado desse cálcio forma pedras nos rins e é um dos muitos patogênicos do consumo de carne, criando ou contribuindo para gota, artrite, reumatismo e bursite.


Enzimas digestivas: nossas enzimas digestivas são feitas para facilitar a digestão de frutas. Produzimos a amilase pancreática - também conhecida como amilase salivar - para iniciar a digestão de frutas. Animais comedores de carne não produzem essa enzima e têm níveis de enzimas digestivas completamente diferentes das nossas.


Metabolismo do açúcar: a glucose e a frutose nas frutas abastecem nossas células sem forçar nosso pâncreas (a não ser que comêssemos uma dieta hiperlipídica). Carnívoros não lidam com açúcares facilmente. Eles são propensos a diabetes, se comerem uma dieta predominante de frutas.


Flora intestinal: as colônias de bactérias (flora) que vivem em intestinos humanos são diferentes das encontradas nos animais carnívoros. Aquelas que são similares, tais como Lactobacillus e Escherichia coli, são encontradas em diferentes quantidades em intestinos de herbívoros comparadas com as dos carnívoros.


Apetite natural: nossa boca saliva com a visão e cheiros de uma mercearia de frutas - estes são alimentos vivos, a fonte da nossa sustentação. O cheiro de animais, por outro lado, geralmente nos dá náuseas*. A boca dos carnívoros saliva ao ver a presa, e eles reagem ao cheiro de animais como se sentissem a comida.


Fonte: David Arioch - Jornalismo Cultural





NOTAS DA NATUREZA EM FORMA:

1. Outra crença comum entre as pessoas que comem carne é a de que os humanos são o topo da cadeia alimentar. Um estudo publicado na revista norte-americana PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences) mostrou algo bem diferente, conforme ilustrou o Mapa Veg em sua página no Facebook:




2. Animais não são alimento para nós, humanos. Eles não são nossa comida nem escravos. Sentem como todos nós e por isso merecem a vida e a liberdade. A alimentação vegetariana estrita, sem carne de qualquer tipo ou derivados (laticínios, ovos, mel), já está provada como sendo a mais saudável para os humanos. Quem opta pelo veganismo (que engloba não somente a dieta vegetariana estrita, como também o não uso de roupas e acessórios de couro, lã, pele e seda, assim como o boicote a "atrações" que exploram os animais, como zoológicos, circos e aquários, e a empresas que fazem testes em animais) está fazendo um bem pelos animais e para sua própria saúde e vida. E não é difícil nem caro. Quer uma ajuda para começar a parar de comer carne? O primeiro passo é a informação. Aprenda com quem já vive esse estilo de vida: pergunte, pesquise. Use as redes sociais para expandir seu conhecimento sobre vários assuntos, inclusive esse, que é vital para você e um imensurável número de vidas inocentes. Há diversos grupos sobre o tema no Facebook. Listamos abaixo alguns deles:

Troll Ajuda disponibiliza um tópico fixo com uma lista de produtos (não só para alimentação) livres de crueldade animal e oferece sempre diversas dicas para iniciantes e "veteranos";

Veganismo é um dos maiores grupos sobre o tema no Facebook, com quase 50 mil membros sempre compartilhando experiências e tirando dúvidas;

Veganismo Popular desmitifica a ideia de que veganismo é caro. É perfeitamente viável seguir uma alimentação diária sem crueldade animal e sem maltratar o bolso;

Musculação Vegana é voltado para os praticantes de atividades físicas. Nele, você pode ver como é preconceituosa e errada a ideia que algumas pessoas tentam propagar, de que vegetarianos estritos são fracos fisicamente (muito pelo contrário, são mais fortes e saudáveis). O grupo oferece diversas dicas de alimentação e suplementação vegana.

Existem ainda sites e blogues com deliciosas receitas veganas, simples e baratas de fazer. Estes são alguns: 




Viewganas (canal do YouTube especializado em versões veganas de receitas tradicionais com carne) 

Já a Revista dos Vegetarianos é uma publicação mensal (impressa e on-line) com excelente conteúdo que vai bem além de receitas, focando a saúde como um todo. 

Mapa Vegano lista diversos estabelecimentos em todo o Brasil, abrangendo produtos e serviços de alimentos e bebidas, higiene e beleza, roupas e acessórios, ONGs e outros. 

E para dar uma força aos iniciantes, o Mercy for Animals Brasil disponibiliza um Guia Vegetariano gratuito em seu site. Nele, você encontra diversas informações que podem norteá-lo no começo de uma nova vida. O Desafio 21 Dias Sem Carne também pode ser uma boa forma de você começar - e descobrir que consegue abolir definitivamente os animais do seu cardápio.

Mas já saiba desde o começo que abraçar o veganismo é uma mudança e tanto, que fará um imenso bem para você, para os animais e para o planeta.

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