Como o ativismo está mudando os negócios que exploram animais – de uma vez por todas

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Por Adam M. Roberts*

Se você tivesse me perguntado 10 anos atrás, cinco anos atrás, ou até mesmo três anos atrás se eu poderia prever Hugo Boss e Giorgio Armani parando de usar peles de animais, o SeaWorld anunciando um fim iminente às apresentações com orcas e o Ringling Bros and Barnum & Bailey Circus aposentando seus elefantes e então fechando seu negócio completamente, eu simplesmente teria dito “não tão logo; talvez enquanto eu ainda estiver vivo, mas não tão logo”.

Os designers de moda sofisticada precisam de itens de moda sofisticada, e a pele sempre foi considerada moda sofisticada. O SeaWorld precisa das apresentações com orcas e o circo Ringling precisa das apresentações com elefantes para preencher as cadeiras da plateia (e para entreter os mal informados).

E, mesmo assim, aqui estamos. Hugo Boss e Giorgio Armani não usam mais peles de animais, o SeaWorld anunciou o fim dos shows com orcas e o circo Ringling está dobrando suas tendas até maio deste ano. Os tempos certamente mudam.

Feito possível pelo público

Entretanto essas mudanças não acontecem sem os esforços de cidadãos comprometidos e cheios de compaixão. Suas vozes – quando levantadas em uníssono, com autoridade e sem medo – podem causar mudanças significativas. É a recusa de comprar produtos com peles e a avaliação do público sobre a crueldade na indústria da pele que leva o modelo de negócios a ser mais humano. É o declínio no número de visitantes entre um público mais informado que convence os donos de um circo aquático a parar com os shows degradantes e cruéis (juntamente, é claro, de um constante número de músicos se recusando a se apresentar em um lugar como o SeaWorld). E é a pressão de cidades e estados para declarar fim aos maus-tratos de elefantes em circos que faz com que esses animais sejam aposentados e, depois, fazer com que o próprio circo se aposente.

O desespero da exploração animal é claro e penetrante. Tilikum, a orca que recentemente morreu em cativeiro, foi capturado das águas da costa da Islândia em 1983, arrancado de sua família natural com somente dois anos de idade. Ele foi transferido de tanque minúsculo para tanque minúsculo durante toda sua vida, forçado a se apresentar e a definhar pateticamente. Outras orcas, quando ele estava perto delas, o agrediam de forma dolorosa. Humanos o obrigavam a se apresentar de forma vergonhosa. E ele acabou sendo um perigo para os treinadores humanos, chegando a matar vários deles. A maior orca em cativeiro antes de sua morte, Tilikum morreu de uma infecção pulmonar no começo de janeiro de 2017.

Outros ainda sofrem. Mas, logo, nenhum deles mais vai se apresentar, procriar ou ser importado para parques marinhos como o SeaWorld.

O Ringling desfilou animais, que eram chicoteados e cutucados, em uma arena na frente de pessoas barulhentas durante um século e meio. Tigres eram forçados a pular através de anéis em fogo; elefantes eram forçados a andar com as patas dianteiras nas costas de seus companheiros de prisão, ficar de cabeça para baixo e se equilibrar em bolas; e leões, cangurus, camelos e outras espécies eram similarmente enjaulados, treinados e forçados a atos nada naturais noite após noite em cidade após cidade. Nós sabemos que esses animais eram maltratados. Nós temos a evidência do cruel “bullhook” sendo usado para agredi-los.

Ano após ano de protestos do público, exposição na mídia e processos em tribunais acabaram pesando. Prefeituras começaram a dizer que eles não queriam que o circo viesse se apresentar na cidade – muito cruel. Se você não consegue manejar seus elefantes sem bullhooks, você não pode trazê-los para nossa cidade; se você não pode trazê-los para nossa cidade, as pessoas não irão ao circo; se as pessoas não vão ao circo, você perde dinheiro.

Então… hora de fechar o negócio

O resultado é que um dos maiores obstáculos para a liberdade e o respeito aos animais historicamente tem sido a resistência do modelo corporativo: aquele que considera pele como uma moda apropriada e vê elefantes, tigres e orcas como apresentadores (mesmo contra sua vontade) aceitáveis. O progresso atual deveria inspirar.

E qual é a trajetória atual da exploração animal? Com vigilância contínua e o vento a nosso favor, talvez nós estejamos, sim, nos movendo intencionalmente em direção a um mundo onde animais selvagens não se apresentam para nós; onde elefantes não são mortos por suas presas de marfim; onde mamíferos marinhos não definham em cativeiro; onde primatas não são procriados e comercializados como “animais de estimação”; onde linces não são mortos por causa de suas peles; onde leões não são abatidos em nome do esporte; onde ursos não são presos por causa de sua bile e vesículas - a lista é longa.

As pessoas mudam. Os modelos corporativos mudam. O mundo evolui. Tendências recentes sugerem que essa evolução é a mais humana. Nós temos de garantir e manter esse movimento. Com cada sucesso, a exploração animal se torna cada vez mais rara. A exploração animal está tendo uma “liquidação para fechamento” - vamos nos unir e ajudá-los a fechar a loja de uma vez por todas.

*Adam M. Roberts é CEO da organização Born Free USA



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