Alimentação de bebês veganos

    

A não ser em famílias já veganas, as dúvidas sobre como alimentar um bebê com uma dieta vegana podem apoderar-se de muitos pais. A alimentação é um assunto delicado, pois as pessoas querem o melhor para suas crianças, querem oferecer-lhes os melhores alimentos. Não é incomum algumas pessoas que acreditam que uma dieta vegana seja o melhor para elas terem dúvidas sobre se esse tipo de alimentação é o melhor para seus filhos.

Alguns médicos ainda levantam questões sobre a eficácia dessa dieta e são contra sua utilização. Os pais não podem se deixar levar, pois desde que sigam algumas linhas mestras, irão dar aos filhos uma alimentação perfeitamente saudável. O caminho a seguir será mais suave e agradável se família, amigos e médicos sentirem que os pais possuem bons conhecimentos sobre nutrição e perceberem que a criança está saudável.

O que se segue é uma visão cronológica de como satisfazer as necessidades nutritivas dos bebês com uma dieta vegana. Faz sentido que as mães veganas amamentem durante um ano, se possível, pois o leite materno é uma fonte muito rica de nutrientes. No entanto, muitos bebês deixam de se interessar pelo peito a partir dos 10-12 meses.

Do nascimento aos 6 meses: desde o nascimento até os seis meses, todas as necessidades nutritivas do bebê são satisfeitas através do leite materno.

Dos 6 aos 8 meses: aos seis meses, podem ser introduzidos alimentos sólidos, mas não se deve apressar o processo se o bebê parecer satisfeito só com o leite materno. Preste atenção aos sinais do bebê; você pode até considerar que ele já esteja pronto para os alimentos sólidos, se chora depois de mamar ou mastiga o mamilo. Mesmo assim, continue a amamentar, enquanto for confortável para você e para o bebê (algumas crianças parecem estar preparadas para os alimentos sólidos antes dos seis meses. Se for esse o caso, então pode iniciar essa alimentação).

O melhor momento para introduzir os alimentos sólidos é logo depois que o bebê mamar, quando ele já não está esfomeado. Seja paciente e vá devagar. A clássica 'primeira comida' é banana esmagada, mas há outras boas apostas, como pêssegos e/ou maçãs cozidas e esmagadas. Com o bebê no colo, comece por oferecer-lhe uma pequena quantidade e, inclinando-lhe as costas ligeiramente para trás, toque-lhe com a colher nos lábios e coloque a comida em sua boca. Mostre-lhe, com um sorriso, que é algo que irá gostar. Se o bebê não estiver interessado nas primeiras tentativas, esqueça isso durante mais uma semana. Quando estiver preparado, não tente empanturrá-lo com comida - essas primeiras tentativas são apenas uma apresentação. Ele irá mostrar quando já chega, virando a cabeça para o lado, mantendo a boca fechada ou até mesmo cuspindo a comida. Leve-o a sério.

Mais tarde, por volta dos sete meses, ele deverá estar pronto para papas de cereais integrais, bem cozidos e com uma consistência bem cremosa. Evite as papas de cereais comerciais, que são mais caras e não possuem o mesmo valor nutritivo que as caseiras. Se houver em sua família casos de alergia ao trigo, soja ou milho, é melhor começar com arroz ou aveia. Pode adicionar pequenas quantidades de banana esmagada ou leite materno aos cereais cozidos, para a aceitação ser mais fácil.

Quando introduzir alimentos sólidos, ofereça apenas um tipo novo de comida de cada vez e depois observe como é tolerado. Dê uns dias ao sistema digestivo do bebê (até uma semana) para se habituar a cada alimento, antes de introduzir outro. Evite todas as 'comidas para bebê' que contenham açúcar ou adoçantes artificiais. O açúcar não contém vitaminas, minerais ou proteínas, e pode levar à obesidade - não só agora, como mais tarde. As comidas adoçadas também confundem e seduzem o apetite, pois tendem a disfarçar a fome, substituindo os alimentos saudáveis.

Dos 8 aos 10 meses: nessa fase, pode-se introduzir as batatas na alimentação. Asse-as inteiras para preservar suas vitaminas e esmague-as com um pouco de água ou leite materno - ou tente esmagá-las juntamente com beterraba cozida, para obter um bonito purê cor-de-rosa, que os bebês dessa idade tanto apreciam.

Depois das batatas terem sido bem aceitas, entre os 9 e os 11 meses, o seu bebê estará pronto para frutas frescas como peras, pêssegos, ameixas e melão. Também pode-se oferecer maçã descascada e ralada. Para evitar alergias, não dê cítricos antes de um ano de idade e nunca ofereça frutas como tâmaras, figos secos e passas, até que o bebê possa mastigar bem pedaços pequenos.

Dos 10 aos 12 meses: introduza mais vegetais cozidos e esmagados. Tente batata-doce - se já não o tiver feito -, abóbora e cenoura; depois, experimente outros vegetais. Não dê pedaços grandes a crianças com menos de três anos, pois elas podem sufocar. Depois de a criança tolerar bem vários alimentos, pode-se oferecer saladas combinadas. Misture abacate, tofu, maçã cozida, vegetais cozidos e alguma manteiga de amêndoa, amendoim (com algumas gotas de vitaminas enriquecidas com ferro, se desejar assegurar a ingestão de vitaminas).

Durante esse período, também pode-se introduzir cereais integrais bem cozidos e escorridos, como arroz, cevada ou aveia - ou tente uma mistura de cereais, rica em proteínas, com feijões de soja e gérmen de trigo.

Dos 12 aos 14 meses: pode-se adicionar legumes (ervilhas e feijões) ao menu do bebê, mas assegure-se de que todos os feijões sejam cozidos até ficarem bem macios e que as cascas sejam removidas (especialmente da soja). Um creme de ervilhas é uma boa introdução à proteína dos legumes. Observe as fezes do bebê, para saber se os feijões estão sendo bem digeridos. Se o cocô cheirar a azedo, se o bumbum do bebê ficar vermelho ou assado, ou se conseguir distinguir pedaços de feijão, você deve esperar algum tempo até tentar as leguminosas novamente. 

Algumas crianças não toleram bem as leguminosa inteiras até terem dois ou três anos, mas isso é normal. Existem outros produtos à base de soja, como leite de soja e tofu, e cereais que irão satisfazer as necessidades do seu filho. O homus, feito com grão-de-bico e tahine (manteiga de gergelim), é um alimento saboroso e rico em proteína e cálcio, que pode ser usado para aumentar a ingestão nutritiva da criança.

Outro superalimento é o abacate, que é rico em riboflavina, ácidos graxos essenciais, potássio e cobre. Pode-se oferecer pequenos pedaços de abacate maduro ou misturá-lo com água ou suco de alguma fruta, para fazer uma papinha.

Também já pode-se oferecer pão ao bebê. Comece com torrada - é mais fácil para o bebê mastigar. E não esqueça como as crianças, mesmo as mais novas, adoram massas chinesas. As massas enriquecidas com alcachofra e outros vegetais e servidas com molho fornecem energia e proteínas.

Tente também fazer seu filho apreciar vegetais crus, como cenouras ou pepinos, a partir dessa idade. Rale-os finamente e acrescente um pouco de manteiga de amendoim, tahine ou manteiga de amêndoa. Tofu simples e bolinhos de arroz também são muito saudáveis.

Dos 14 aos 18 meses: com essa idade, seu filho já deve comer a mesma comida que você e, devido a seu hábito em criá-lo com uma dieta vegana, terá tido um início de vida muito mais saudável e natural. Ao longo desses primeiros meses de vida do bebê, você poderá ouvir alguns comentários como "você está sendo negligente" ou "não se pode brincar com essas coisas". Mas uma dieta vegana é um bom começo para a saúde de uma criança.

Fonte: Cantinho Vegetariano (via Anda - Agência de Notícias de Direitos Animais via Centro Vegetariano)

Foto: The Vegan Strategist



NOTAS DA NATUREZA EM FORMA:

1. Quais as diferenças entre vegetarianos, vegetarianos estritos e veganos? Saiba aqui.

2. Leia aqui outras matérias sobre veganismo na infância. 

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