10 motivos para NÃO adotar um animal


Animais são companheiros, amorosos, engraçadinhos, contribuem para a socialização dos tutores, nos colocam para nos exercitar mais e jamais pedem nada em troca. Por outro lado, eles não são brinquedo, dão trabalho, custam dinheiro para manter e podem não atender às suas expectativas. E o mais importante: eles são seres vivos que sofrem com a separação. Por isso, jamais adote um animal se não tiver certeza absoluta de que vai amá-lo incondicionalmente e não vai abandoná-lo.

Quem participa de grupos sobre cães, gatos e cia. no WhatsApp ou Facebook sabe da quantidade imensa de pessoas que, todos os dias, tenta se desfazer dos melhores amigos. Alegando separação, viagem, alergia, falta de tempo etc., elas anunciam animais que, já adultos, certamente sofrerão muito com a separação.

A melhor forma de evitar que qualquer animal seja descartado é refletir, antes de adotar um, se você realmente pode, quer e tem condições de mantê-lo sob seus cuidados por muitos e muitos anos, até o fim natural da vida do bicho. Então, antes de ceder a impulsos ou aos pedidos das crianças por um animal, pense que:

1. Filhotes são muito lindos, mas eles crescem rápido e em poucos meses vão perder aquela carinha de bicho de pelúcia. Se o motivo de você querer levar um para casa é a carinha fofinha do filhote, então considere admirá-los apenas em fotos.

2. Filhotes são muito lindos, mas eles estão descobrindo o mundo, e geralmente destroem tudo o que veem pela frente. Embora possam e devam ser adestrados para evitar comportamentos destrutivos, é quase impossível evitar que estraguem algumas coisas dentro de casa, além de fazer muita bagunça. Se você não tem paciência ou é muito apegado às coisas materiais, esqueça essa ideia*.

3. Animais não são brinquedo. Por mais óbvia que pareça essa afirmação, muitas pessoas insistem em dar cães, gatos, aves, roedores etc. para os filhos em datas comemorativas. Principalmente as crianças pequenas podem querer puxar orelha, rabo, patinhas, além de apertar os animais, causando desconforto a eles e correndo o risco de serem mordidas. Além disso, ao contrário do cachorro de pelúcia, o de verdade pode não estar à disposição dos pequenos todas as vezes em que eles quiserem brincar.

4. Animais dão trabalho. Cães precisam passear três vezes ao dia: já imaginou que tortura é ficar o dia inteiro preso dentro de casa? Fora do horário dos passeios, eles também precisam de estímulos e brincadeiras constantes**. [Atenção: gatos, ao contrário, não devem ser levados para passear e muito menos ter acesso por conta própria à rua. Todas as janelas da casa ou apartamento de um tutor de gato devem ser teladas, e o estímulo a ser oferecido ao bichano é o enriquecimento de ambiente. Leia mais aqui.] Além disso, necessitam de cuidados como escovação de pelos, banho, tosa… Sem falar que os potes de água têm de ser trocados várias vezes ao dia, e o alimento tem de ser oferecido de acordo com a recomendação do veterinário. Por falar em veterinário, consultas de rotina, vacinações e tratamentos dentários também estão dentro das necessidades dos animais.

5. Manter um animal custa dinheiro. Você vai gastar com ração, vacinas, coleira/guia, roupinhas no frio, consultas de rotina, consultas emergenciais, remédios, areia higiênica, brinquedos etc. Se não estiver disposto a investir, não adote um, pois estará privando o animal de itens importantes para seu bem-estar.

6. Animais sofrem com a separação. Cães e gatos são animais sociais e criam vínculos com os tutores. Ao serem descartados, sofrem muito e demonstram isso com atitudes como automutilação, lambeduras excessivas, apatia e anorexia, entre outros.

7. Animais não são personagens de filme. Também parece óbvio, não é? Nem tanto assim. No ano passado, logo após a exibição do filme de animação Pets: A Vida Secreta dos Bichos (The Secret Life of Pets, 2016), houve um crescimento nas vendas*** de dachshund, o salsichinha Billy, que, no trailer, aparece coçando as costinhas numa batedeira. Poucos meses depois, começou o boom de descarte e abandono de dachshunds. O mesmo ocorreu com labradores na época do filme Marley & Eu (Marley & Me, 2008) e com dálmatas na época de 101 Dálmatas (101 Dalmatians, 1996). Por mais irresistíveis que sejam esses personagens, não é preciso dizer que, na vida real, nenhum salsicha vai coçar as costas numa batedeira, não é?****

8. Animal não é roupa para entrar e sair de moda. Já reparou que, às vezes, uma determinada raça começa a fazer tanto sucesso que praticamente só se vê dela nas ruas? Assim como acontece com os cães comprados por impulso por causa de filmes, aqueles adquiridos porque são a “raça da moda” correm um sério risco de serem descartados. Agora, parece que a moda do abandono pegou os golden retrievers. É impressionante a quantidade de gente se livrando deles diariamente. O mesmo vem ocorrendo com o buldogue francês.*****

9. O Brasil tem 30 milhões de animais abandonados. Se não tiver certeza de que quer e pode manter um animal, não contribua para aumentar essa triste estatística.

10. Expectativa e realidade são coisas diferentes. Às vezes, uma pessoa adota um animal querendo companhia para atividades esportivas e fica decepcionada pelo comportamento passivo do bicho. Ou quer um cachorro ou gato que fique deitado junto, assistindo TV, mas o animal não gosta de ficar parado nem de ser agarrado. Não idealize um animal nem crie expectativas. Ame-o pelo que ele é.


Fotos: Reprodução


NOTAS DA NATUREZA EM FORMA:

*1. Ou adote um adulto!




**2. Leia também:

Brincadeira produtiva

Enriquecimento ambiental para gatos 
 


***3. Animais não devem ser comprados nunca. Leia aqui sobre a realidade por trás do comércio de cães e gatos de raça. 

****4. Leia também:



*****5. Idem terceira nota. E leia também: Sem raça definida (SRD): diverso e único para cada mistura e personalidade   

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