Veganismo na infância: bebê e criança vegetariana?

  Foto: Circle of Moms


Por Fúlvia Andrade*

Acho engraçado como as pessoas encaram o vegetarianismo como algo prejudicial à saúde, principalmente de gestantes, bebês e crianças.

Quando engravidei, uma conhecida disse ter visto em um programa de TV que as gestantes devem comer carne, sim, mesmo as que são vegetarianas, porque senão os bebês sofrem de anencefalia. Eu simplesmente olhei para a cara da moça, também gestante, e falei: "Não vou comer carne". "Ah, mas minha amiga também é vegetariana e comeu durante a gestação." "Eu não sou sua amiga. E não fala mais nesse assunto porque isso é uma grande mentira."

Assim que a Letícia nasceu, a mesma pessoa disse que eu precisava comer carne, para o meu leite ficar mais forte, senão a Letícia ia passar fome. Já fui logo cortando o assunto e arrematei: "E nem venha falar depois das papinhas, porque a Letícia, assim como nós, não vai comer carne. Ponto". Tudo bem, fui vista como a chata do momento, mas não estou nem aí. Não consigo entender o motivo de ser tão difícil assim entender que não necessitamos de carne para viver, muito menos para sermos saudáveis.

Felizmente, não temos muito problema com relação à nossa dieta. Isso porque, além de corrermos atrás de informações sobre nutrição, faço uma variedade grande de comida em casa (um pouco de cada, para fazer comida todos os dias), sempre tendo cereais, grãos, raízes, leguminosas, legumes, verduras e frutas (ao contrário do arroz, feijão e bife dos onívoros). Tudo bem balanceadinho, para não faltar nada. Nossos exames indicam que estamos fazendo o certo. Custa mais caro? Não, é mais barato ser vegetariano. Nem usamos muito a famosa PTS, porque ela não traz muitos benefícios quanto à nutrição - mas tenho em casa, porque às vezes quero fazer algum bolinho, hambúrguer ou algo do gênero. Já o tofu, usamos uma vez na semana, quando compro na feira. Faz muito sucesso, além de ser uma ótima fonte de proteína.

Recentemente, li em uma revista uma crítica à dieta vegetariana, praticamente dizendo que nós, que optamos por essa dieta e incluímos nela nossos filhos, somos malucos. O triste é que não foram pesquisadas pessoas com experiência nesse tipo de alimentação, entrevistaram qualquer pessoa por aí, que acha tudo ridículo. Agora, uma pergunta: quantas pessoas onívoras conhecemos que têm alguma doença? E geralmente relacionada ao consumo de carne, não é mesmo?! Ou então, a uma dieta pobre. Quantos onívoros por aí que são anêmicos, têm diabetes, pressão alta... a maioria se alimenta mal e, quando comentamos nossa opção, acham que nós é que nos alimentamos pessimamente. Ai ai ai...

Uma curiosidade: assim que engravidei, fui avisando para a obstetra que eu não iria comer carne de jeito nenhum, nem a Letícia. Ela só me fez elogios, dizendo que é a melhor dieta a ser seguida, que sendo equilibrada não faltariam nutrientes. Dito e feito: nada de anemia, de deficiência de nada. E olha que ela nem me receitou vitaminas a mais. O mesmo vale para a pediatra da Letícia.

Só para terminar: eu tive muito mais leite que a minha conhecida, que come carne pra caramba, e meu leite não secou: amamentei até os 10 meses da Letícia porque ela não quis mais saber do meu seio (para minha frustração). Já o leite dessa conhecida secou quando a filha dela tinha cinco meses. Portanto, meninas, não fiquem impressionadas com os comentários: sigam seus instintos, suas convicções, seu modo de vida! E lembrem-se: nossas melhores armas são nossos conhecimentos (para termos argumentos) e nossa saúde de ferro.



NOTAS DA NATUREZA EM FORMA:

1. Quais as diferenças entre vegetarianos, vegetarianos estritos e veganos? Saiba aqui.

2. Acompanhe nossa série semanal sobre veganismo na infância. Clique no marcador abaixo e leia as matérias anteriores!

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